A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 30/11/2020
Segundo o filósofo John Locke, em sua teoria da tábula rasa, o ser humano é como uma tela em branco a qual é preenchida por experiências e influências. Sob tal ótica, os jovens formam seus pensamentos a partir de sua convivência familiar. Por isso, é necessário o alcance homogêneo do letramento pelos pais e filhos, visto que ele tem não só um grande impacto à socialização e ao intelecto juvenil, como também pode ser um instrumento facilitador para mudar a realidade de famílias vulneráveis no âmbito socioeconômico.
O encorajamento para uma educação parental, em primeira análise, através do hábito de ler, é essencial à formação pessoal infantil. De acordo com o sociólogo Peter Berger, as crianças internalizam situações práticas da realidade a fim de formar suas relações sociais. Sob essa perspectiva, os livros representam esse primeiro contato delas com o mundo real, mesmo que de forma empírica, já que não são capazes de vivenciar concretamente grande parte das experiências humanas. Dessa maneira, a literacia familiar promove não apenas um amadurecimento intelectual, mas também uma maior capacidade de compreensão.
O ato de ler, ademais, acarreta a oportunidade de mudança sociocultural e econômica. Conforme o educador Paulo Freire, em sua obra “A Pedagogia do Oprimido”, a classe dominante induz a permanência da opressão sob a massa popular, à medida que retém o acesso igualitário à informação. Nesse sentido, é perceptível que o letramento democratizado mostra-se impedido, devido ao não alcance dos materiais didáticos de qualidade pela parcela mais pobre. Tal conjuntura, consequentemente, gera um não estímulo ao aprendizado e ao pensamento crítico futuro, o que torna-se uma barreira à educação equânime e à esperança de reverter o ciclo da miséria, o qual assola o Brasil.
É notório, portanto, um conhecimento geral da população no que tange aos seus direitos educacionais. Cabe ao Ministério da Educação juntamente às mídias sociais, instituição de grande influência pública, divulgar seus projetos governamentais ligados à literacia familiar, por meio de veículos de comunicação. Essa ação visa a democratizar a acessibilidade no quesito informacional e educacional no país. Assim, a tela em branco de John Locke poderá ser amplamente preenchida com o conhecimento próprio independente.