A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 02/12/2020
No filme “Fahrenheit 451”, é retratado uma sociedade distópica em que ocorre a depreciação dos livros. Nessa obra, as cenas iniciais abordam uma sala cheia de crianças que são instruídas a odiar esse objeto enriquecedor. Em contexto real e hodierno, no Brasil, também é presente esse desvalor, principalmente na literacia familiar. À vista disso, por consequência, a desenvoltura social das futuras gerações é comprometida. Assim, essa realidade tem por alicerce ora a falta de saberes dos pais quan-to a importância da literatura na constituição dos infantis, ora no acesso precário à acervos literários.
Previamente, é válido ressaltar o poder dos pais/ responsáveis no incentivo da inserção dos indiví-duos no mundo da leitura, bem como no auxílio na formação de pessoas resilientes, consistentes, cons-cientes e autoevoluídas. Em prova disso, de acordo com a Forbes e revistas semelhantes, está as pes-soas mais ricas do mundo e a relação de suas riquezas com o intenso hábito da leitura -Elon Musk, Bill Gates, Mark Cuban. Nessa perspectiva, a literacia é fundamental na introdução desses costumes logo nos primórdios da vida. Nesse seguimento, iniciativas como a do Banco Itaú em relação a campanha Leia Para uma Criança -com anúncios difundidos nas mídias sociais de massa- e do Ministério da edu (MEC) com o Conta Pra Mim, mostram a importância do papel familiar da formação dos infantis.
Em segunda análise, cabe às entrelinhas falhas de projetos já lançados pelo governo, uma vez que não abarca famílias de baixa renda. Por esse ângulo, a digitalização dos livros para sanar a falta de acesso material a ele - como em conceitos defendidos pelo MEC no Conta Pra Mim- não garantem a acessibilidade por àqueles que não possuem aparatos e nem conexão às redes. Assim, essa mazela deve ser superada para que o ideal de Durkheim seja fundamentado. Consoante esse pensador, o primeiro contato da criança é com a instituição familiar, o que a torna um dos pilares para constituição cidadã do ser. Nessa conjuntura, a introdução do hábito leitor nesse meio, principalmente de forma interativa e interdisciplinar, expande fronteiras quanto as futuras gerações brasileira.
Logo, fica claro que é impreterível a defesa da literacia ao que relaciona o papel dos pais, de modo efetivo, no sociodesenvolvimento de seus filhos. Para tanto, os órgãos do Estado, responsáveis pela educação e cultura, devem tornar mais democráticas as medidas já tomadas pela União. Essa ação po-derá ser feita pela expansão do programa Conta Pra Mim, por intermédio das mídias de massa como a TV, para difundir a importância do abordado. Ainda, com uso de bancos de dados geográficos, poderá
ser mapeado regiões onde há maior índice de famílias carentes e doar “tablets” com chip para conexão.
Ademais, os domicílios poderão ser visitados por agentes especializados para monitorar a evolução da medida. Assim, será atingido o fito de democratização e distanciamento do filme “Fahrenheit 451”