A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 03/12/2020

Na obra literária “A menina que roubava livros” é retratada uma criança que tinha no hábito de leitura o refúgio da Segunda Guerra Mundial. Para além da ficção, a literacia é, evidentemente, imprescindível no desenvolvimento do conhecimento e do vocabulário de jovens indivíduos, sobretudo, em âmbito familiar. No entanto, no convívio social brasileiro nota-se, de certo modo, insuficiência dessa ação, seja pela leniência da família no incentivo, seja no uso excessivo de aparelhos eletrônicos. Nessa conjuntura, configura-se uma problemática social, a qual requer ações com o fito de atenuar essa condição.

Sob esse viés, como defendido por Émile Durkheim, a família é uma importante instituição que influi diretamente no comportamento do indivíduo enquanto componente da sociedade. Diante do pensamento supracitado, vale citar que os familiares têm um papel fundamental na indução da leitura por parte das crianças, uma vez que é o contato mais pertinente para maximizar os valores básicos, como o hábito de ler. Contudo, é perceptível, de certa forma, a exiguidade em tal prática, não havendo valorização desse exercício para o progresso intelectual e para a capacidade de imaginação da criança, ações que influenciam, também, na vida acadêmica posterior. Dessa maneira, a valorização da literacia familiar é um assunto a ser debatido.

Outrossim, o uso excessivo de meios eletrônicos na sociedade hodierna alcança, inclusive, as crianças. Esse cenário é, de modo geral, propiciado pelo comodismo dos familiares, em que o livro é facilmente substituído pela internet como forma de entretenimento. Diante disso, como abordado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, vive-se a modernidade líquida, não se tem consolidação dos atos, tudo é efêmero, dá-se a preferência ao que é imediato e superficial. Nessa circunstância, o aprimoramento das aptidões socioemocionais, das habilidades comunicativas e da criatividade proporcionadas pela leitura, com incentivo familiar, não são valorizadas, tendo predomínio o uso de aparelhos celulares, por exemplo.

Portanto, são várias as adversidades que impossibilitam a valorização efetiva da literacia familiar no Brasil. Por isso, cabe ao Estado desenvolver mais projetos em escolas, periodicamente, por meio de palestras e de debates com a participação de pedagogos e de familiares dos alunos, abordando a importância da leitura para o desenvolvimento das crianças, bem como incentivando essa prática em casa, ao invés do uso de aparelhos eletrônicos com única alternativa de entretenimento, com a finalidade de ampliar a leitura e, consequentemente, seus efeitos positivos.