A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 04/12/2020
“A educação exige os maiores cuidados, porque influi sobre toda a vida”. Essa frase, do filósofo espanhol Sêneca, pontua a importância da educação, atentando-se aos seus encargos construtivos, como literacia familiar, uma vez que ela apresenta um papel indispensável na evolução cognitiva dos seres humanos. Á vista disso, a postura inerte dos pais, no que tange à contribuição na alfabetização dos filhos, ratifica um impasse. Ao analisar as razões de tamanha adversidade, vê-se a exígua participação dos pais por configurar escola como um único meio de aprendizado e a lenta adaptação no meio estudantil. Logo, é substancial uma análise árdua das causas que permeiam o óbice.
É indubitável pontuar, inicialmente o pensamento dos pais em relação a escola como um único meio de aprendizagem e aquisição de conhecimento, tendo em vista que esse pensamento torna-se algo limitado e restrito, pois de acordo com a Política Nacional de Alfabetização o conceito de literacia familiar é compreendido como um conjunto de práticas e experiências relacionadas com a linguagem, a leitura e a escrita vivenciadas entre pais/cuidadores e filhos, ou seja, não é somente no ambiente escolar que as crianças e adolescentes adquirem conhecimento. Concomitantemente a isso, convém destacar, também, a premissa de Jean Piaget, psicólogo suíço, que, segundo ele, a família, assim como a escola, possui um papel imprescindível no processo cognitivo da criança, de modo que ela também cabe o dever de estimular o aprendizado dos infantes. Desse modo, é mister uma atuação mais engajada da sociedade em geral, a fim de mitigar essa patologia social.
Outrossim, é imprescindível ressaltar que consequentemente ao pensamento equivocado da maior parte dos pais faz-se presente a lenta adaptação dos infantes no ambiente estudantil, de modo que esse poderá ficar atrasado em relação às crianças da sua turma. Tal fato, comprova-se com a pesquisa realizada pelo Instituto Neurosaber que aponta que, no Brasil, cerca de 40 a 50% das crianças e adolescentes apresentam dificuldades de aprendizagem escolar. Nesse contexto, mostra-se que a falta da literacia familiar prejudica diretamente os cidadãos na aprendizagem, pois o principal estímulo ao conhecimento é advindo do ambiente domiciliar.
Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço dessa problemática na sociedade brasileira. Para tal, o Estado deve agir no sentido de promover a prática de leitura nas famílias brasileiras para a formação integral do cidadão. Dessa maneira, o Ministério da Mulher, Família e Direitos humanos elaborar um plano de educação parental por meio de investimentos na Secretaria da Família e do Desenvolvimento Social, com o intuito de estimular os pais a acompanhar os filhos na escola e promover o desenvolvimento do mesmo . Assim, será possível ampliar a literacia no Brasil.