A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 03/12/2020

De acordo com o filósofo Immanuel Kant, “o homem é aquilo que a educação faz dele”. A partir da análise desse pensamento é possível inferir que a educação forma o indivíduo, que precisa a receber desde a infância de forma adequada. Infelizmente, no cenário brasileiro atual, isso não acontece para milhares de crianças em situação econômica vulnerável, onde a literacia familiar é ausente. Esse fator contribui para manutenção da desigualdade social no país, além de salientar uma grave falha no sistema educacional.

Em primeira análise, a evidente diferença no desempenho de alunos carentes tem raízes nas bases de sua formação. Bourdieu traz em sua obra o conceito de vários capitais, entre eles o capital cultural, que advém de toda experiência e conhecimento que cada um carrega consigo. O sociólogo também trata sobre como isso colabora para a desigualdade entre os alunos de diferentes classes, pois quem tem mais capital cultural tem vantagens sobre os outros. É importante considerar que a construção de uma bagagem diversificada é muito mais acessível para classes sociais mais altas, em detrimento das inferiores, que possuem necessidades mais urgentes para serem saciadas. Por isso, a base da educação se torna decisiva para modificar essa realidade de injustiça social.

Além disso, a atuação insatisfatória dos sistemas do governo também colabora para que a taxa de escolaridade dos brasileiros não atinja as marcas necessárias. Em uma pesquisa de 2018, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que 40% dos cidadãos com mais de 25 anos não completaram o ensino médio. As taxas aumentam proporcionalmente com a idade, segundo o mesmo estudo. Isso comprova que a educação básica universal não é uma realidade, apesar de ser garantida por lei conforme a Constituição Federal. A redução desses números representa a possibilidade de uma vida acadêmica de sucesso para os jovens de hoje, que precisam lutar para alcançar um espaço na carreira que desejam, além de estabilidade financeira.

Portanto, o Ministério da Educação (MEC), responsável por todo o sistema educacional brasileiro, precisa atuar para a resolução desse problema. O MEC deve popularizar a literacia no ambiente familiar do país, por meio da distribuição de materiais, como livros e quadrinhos infantis, e também de propagandas nas mídias de TV e redes sociais. Tudo isso, para que o desenvolvimento intelectual das crianças seja desenvolvido da melhor forma possível. Investimentos em educação de qualidade só podem trazer benefícios para a sociedade com um todo.