A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 03/12/2020

A Europa foi protagonista de diversos acontecimentos ao longo da história, a exemplo do Renascimento Cultural, nos séculos XV e XVI, e com ele a introdução da imprensa, por Gutenberg, e a normatização da leitura entre pais e filhos - Literacia Familiar. Hodiernamente, entretanto, o conceito em análise não é comum no Brasil devido a concepção errônea de que o desenvolvimento educacional é responsabilidade absoluta do Estado. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um problema alicerçado na desigualdade social e na falta de canais públicos que popularizem a prática.

Em primeira análise, a desigualdade social, evidente no Brasil, é propulsora de uma oferta desigual a uma educação de qualidade. Esse cenário não abstenha-se, somente, em veículos públicos, como uma escola, mas também no ambiente familiar. Em destaque a afirmativa José Murilo de Carvalho: “A elite era uma ilha de letrados, em um mar de analfabetos”, em relação ao Brasil Império, a alusão do historiador é atual, visto que uma condição financeira favorável contribui para a disponibilidade de um pai desenvolver e investir na educação do filho, por exemplo. Logo, assim como no Brasil império a condição financeira determinava um indivíduo literado, o cenário é perpetuado em uma contemporaneidade, uma vez que exista famílias que não possuem recursos básicos como comida e moradia.

Além disso, a literacia familiar é um exercício impopular no Brasil, dado que a prática não é divulgada com eficiência e igualdade para todos os indivíduos; a exemplo do programa “conta pra mim”, com recursos disponíveis, somente, na internet. Em alusão ao pensamento de Francis Bacon, o qual afirmava que conhecimento é poder, o Estado que não oferta recursos necessários para o desenvolvimento da leitura, antagoniza a premissa do filósofo. Deste modo, constata-se que além de ser impopular no Brasil, a literacia familiar é um conceito que evidencia a desproporcionalidade de direitos, a medida que poucas pessoas terão o acesso sobre a sua importância e benefícios, bem como ao poder do conhecimento abordado por Bacon.

Torna-se claro, portanto, a relevância de uma medida corretiva à impopularidade da literacia familiar. Para que isso ocorra é necessária a intervenção do ministério da educação, por meio de palestras em comunidades carentes e reuniões nas escolas com os pais, para que seja introduzido a importância da leitura familiar na formação de uma criança. isso, consequentemente, garantiria o desenvolvimento da alfabetização plena do indivíduo, bem como divulgaria a prática em questão de uma maneira mais democrática. Assim, haverá a resolução do impasse e a literacia familiar ganhará a sua importância na sociedade.