A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 04/12/2020
No livro Fahrenheit 451 de Ray Bradbury, entendemos a importância da leitura e como o totalitarismo e a opressão antiintelectual roubam do cidadão todos os sentidos críticos, transformando-o em um ser robótico pronto para gerar lucro para o Estado. Da mesma forma, apesar da inexistência de um regime totalitário, os brasileiros não possuem uma cultura familiar de alfabetização porque, para grande parte da população, o objetivo principal é conseguir mão de obra. Como consequência, faltam políticas públicas eficazes para estimular e democratizar o acesso à leitura, desenvolver melhor o pensamento crítico e reduzir as desigualdades sociais no Brasil.
Em uma primeira análise, vale destacar que a leitura é a base da formação cultural e social do cidadão, visto que, desta forma, ele pode perceber seu poder de mudar o meio social em que se encontra. Assim, como afirma o filósofo contemporâneo Pierre Bourdieu em sua obra “Violência Simbólica”, uma pessoa com maior repertório cultural e, portanto, intelectual, tende a estar além do social e a usar a violência simbólica sobre os outros. Assim, a incerteza no incentivo à leitura no ambiente familiar está diretamente relacionada à priorização do conhecimento na sociedade e, para que grandes mudanças ocorram no futuro, são necessárias medidas de apoio à alfabetização.
Além disso, segundo o filósofo e professor Paulo Freire, “se a educação por si só não muda a sociedade, então a própria sociedade não muda”. Entende-se, portanto, que a educação, direito fundamental consagrado na Constituição de 1988, tem papel fundamental para o avanço e que a leitura é uma forma de ajudá-lo a realizar esse direito. Porém, tal efetividade não pode ser identificada, mesmo que seja de responsabilidade do Estado, pois a falta de políticas públicas comprova que o governo não problematizou essa questão. Partindo desse pensamento, a intervenção estatal e social são essenciais para estimular a família a ler e escrever.
Portanto, mudanças são necessárias para aumentar o valor da leitura nas estruturas sociais. Assim, cabe ao Ministério da Educação e ao Ministério da Cidadania que devem garantir o acesso à literatura desde a infância por meio de um programa social que visa a distribuição gratuita de livros literários de acordo com a faixa etária do leitor através dos Correios - já que a acessibilidade à literatura ainda não é igualitária - para que todos possam desenvolver sua cultura e cosmovisão. Da mesma forma, é responsabilidade das escolas e dos pais incentivar seus filhos a se engajarem na rotina literária por meio de projetos escolares onde os alunos devem ler um livro a cada semana e, com a ajuda dos pais, produzir resumos que possam ser articulados em rodadas de conversa e discussão. desenvolver a leitura e o senso crítico desde os tempos de escola.