A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 04/12/2020
No livro ´´O diário de Anne Frank``, escrito durante a segunda guerra mundial, a escritora e protagonista, Anne, é uma criança que tem como principal lazer a leitura. Em oposição a realidade vivida no livro, na sociedade atual o consumo de obras literárias é tido como uma atividade tediosa, especialmente pelo público mais jovem, pois não há nos lares brasileiros o incentivo, por parte dos pais, para que crianças desenvolvam o hábito de ler. Esta problemática é fruto da falta de bibliotecas em periferias, o que impossibilita que famílias mais pobres tenham acesso a livros, além de um sistema educacional mecanicista, o qual não estimula o interesse por literatura nos mais jovens.
Em primeira análise, percebe-se que não há, por parte do estado, grandes iniciativas que tornem a literatura presente na vida de moradores da periferia e de bairros menos abastados, tais como a construção de bibliotecas e livrarias públicas, as quais ofereçam empréstimo gratuito de clássicos literários. De acordo com a filosofia Aristotélica, cabe ao governo garantir a felicidade dos cidadãos, porém as instituições públicas falham com seu dever ao não democratizar o acesso a cultura, em especial aos livros. Portanto a incapacidade estatal em tornar a leitura um hábito acessível as classes baixas é um motivo pelo qual a literacia familiar não ser comum no Brasil.
Em segunda análise, é válido ressaltar que o método educacional brasileiro é mecanicista, tal modelo de ensino não estimula a criatividade e a leitura por diversão, apenas os conteúdos que possam ser usados no ambiente de trabalho são valorizados. Segundo Kant, ´´ O homem é aquilo que a educação faz dele``, ou seja se o sistema de ensino não estimula os jovens a ler, eles não desenvolveram este costume. Assim sendo, o não consumo de obras literárias será uma característica passada de geração em geração, caso não haja alteração no método de se educar no Brasil.
Tendo tudo isto em vista, cabe ao ministério da educação, liderado pelo ministro Milton Ribeiro, em conjunto com a Secretaria da Cultura, criar plataformas virtuais de amplo acesso, as quais contenham contos, fábulas e textos de outros gêneros para que pais de núcleos familiares humildes possam ler para seus filhos, deste modo possibilitando a literacia em todos as camadas sociais. Esta iniciativa terá como objetivo incitar as futuras gerações a se habituarem com as obras líricas, o que a longo prazo mudará a visão da população sobre a função da educação, tornando-a menos mecanicista e fazendo da leitura familiar algo do cotidiano da comunidade.