A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 07/12/2020

Historicamente, a literacia familiar, ou seja, a leitura entre pais e filhos, teve origem na Europa renascentista, a partir da invenção da imprensa, por Gutenberg. Entretanto, esse contato prematuro entre obras literárias e as crianças ainda é bastante exíguo na sociedade brasileira. Nesse contexto, a desigualdade social, atrelada a incapacidade do poder público em promover projetos eficiente contribui para esse atraso social. Logo, esse quadro desqualifica o papel da família, bem como demonstra a desconstrução do Estado Democrático de Direito. Destarte, urgem medidas interventivas.

É pertinente abordar, a priori, que a literacia no âmbito familiar assume um papel de suma importância para o desenvolvimento pessoal e educacional das crianças e, dessarte, pende a torná-los mais sociáveis ​​e criativos. Entretanto, a disparidade socioeconômica brasileira tende a impossibilitar a concretização dessa medida, isso tudo, advém, principalmente, da herança colonial do Brasil, uma vez que essa defasagem pedagógica é simplesmente reflexo de um passado aristocrático, no qual somente a classe latifundiária detinha as condições necessárias para usufruir desse bem intelectual. Analogamente a isso, é fato que o acesso aos livros e as tecnologias de leitura ainda continua restrito a parcela que detém o poder econômico e, com isso, atesta a inconstitucionalidade presente nesse País, pois não há como promover o contato com os livros em uma sociedade marcada pela fome.

Por conseguinte, é evidente que a escassa participação estatal influencia na perpetuação de tal problemática, haja vista que os programas existentes atingem somente uma parcela restrita da população, exemplo disso está o projeto “Conta pra mim”, que limita sua atuação ao meio digital e, assim, grande parte dos cidadãos são excluídos. Pois, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil apresenta 46 milhões de indivíduos que são privados do acesso à internet. Ademais, é fato que esse cenário propende a descontruir o que foi proposto pelo sociólogo Émile Durkheim, já que a família deixa de atuar como a primeira instituição social e, desse modo, compromete a formação moral e educacional das crianças.

Depreende-se, portanto, que a ausência da literacia familiar provém da inaptidão do Governo em viabilizar medidas que abranja a sociedade como todo. Nesse sentido, o Ministério da Educação, por meio das Secretarias Municipais de Educação, deve distribuir livros e, também, ampliar sua atuação nas infovias. Isso tudo, mediante maiores investimentos financeiros, que possibilite a atuação de profissionais capacitado em localidades mais carentes, como as periferias e, ao mesmo tempo, fornecer os materiais necessários e, também, o acesso à internet e, consequentemente, aos projetos virtuais. Perante isso, construir esse hábito de leitura tão importante para o progresso pessoal e da sociedade.