A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 15/12/2020
A obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, retrata uma esfera social ideal, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e obstáculos. Entretanto, no panorama vigente é observável a anulação dos princípios reverberados por More, uma vez que a sociedade brasileira enfrenta os desafios relacionados à importância da literacia familiar em debate. Nesse sentido, convém uma análise tanto da desigualdade social quanto da falta de compromisso dos pais com as crianças. Desse modo, faz-se necessário apresentar as causas que contribuem para a continuidade da problemática em território pátrio.
Em primeiro plano, na obra “Quarto de Despejo”, a autora Maria Carolina de Jesus, alude: “O livro é a melhor invenção do homem”. Nesse ínterim, é perceptível a paixão de Carolina pela leitura, a qual alimentava sua imaginação e seus sonhos, a fim de ludibriar sua precária realidade, como moradora de uma favela de São Paulo. Analogamente, nota-se que a desigualdade social tem sido materializada na conjuntura hodierna de modo negativo, haja vista que muitos genitores com o desejo de adquirir conhecimento por meio da leitura, acabam não comprando livros, uma vez que se encontram em valores exarcebados no mercado. Por conseguinte, evidencia-se que esse déficit literário corrobora a inibição da criatividade, inovação e formação de cidadãos críticos.
Em segundo plano, consoante o filósofo Talcott Parsons, a família é uma máquina que produz personalidades humanas. Dessa forma, tendo em vista a importância do apoio familiar na construção pessoal do sujeito, é indubitável sua presença na formação da consciência literária de seu ente desde a gênese. No entanto, é notório o escasso compromisso dos pais com o período escolar da criança, influindo no desestímulo estudantil e, consequentemente, na inibição da aptidão por leitura. Com efeito, é fulcral pontuar que 44% da população não lê e 33% nunca comprou um livro, segundo dados da pesquisa Retratos da Leitura do Instituto Pró-livro.
Evidencia-se, portanto, que medidas devem ser tomadas com o objetivo de liquidar as barreiras de desinteresse na leitura cotidiana. Para isso, o Ministério da Educação deve, através de verbas governamentais, investir na criação de bibliotecas públicas, uma em cada cidade do país, inserindo livros de caráter educativo e recreativo para as crianças,- com a finalidade de promover um elevado rendimento escolar, eliminando as entraves sociais-. Em adição, é inerente às famílias o compromisso com o desenvolvimento do hábito de leitura dos seus entes, em virtude de impulsionar as relações econômicas e políticas futuras do indivíduo. Por fim, haverá o ambiente equilibrado nos parâmetros de More.