A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 08/12/2020

Barão de Tararé, um dos criadores do jornalismo alternativo durante o período da ditadura no país, estava certo ao dizer: “O Brasil é feito por nós, só falta desatar os nós”. Nesse sentido, a impopularidade da literacia familiar - hábito relacionado à linguagem e vivenciada por pais, cuidadores e filhos - se apresenta como um dos nós a serem desatados. Contudo, fatores como a desigualdade social e o desleixo das famílias brasileiras acerca da educação de seus filhos, colaboram para que tal hábito seja um desafio no país.

Em primeira análise, urge pautar que em uma sociedade marcada por ser desigual, não há como propagar o hábito da literacia. Nesse sentido, durante o século XVI, época em que o Brasil era colônia de exploração de Portugal, apenas a população elitizada tinha acesso a livros e a educação de qualidade, gerando impacto negativo no desempenho social como um todo. Essa lógica pode ser confirmada pelo dado divulgado pelo IBGE, referente ao ano de 1940, posto que mais da metade dos cidadãos brasileiros eram analfabetos. Desse modo, esses fatos históricos citados refletem na escassez de recursos e de conhecimento, tornando a literacia familiar uma realidade distante.

Ademais, é válido salientar que boa parte das famílias brasileiras são ausentes na educação de seus filhos. Sob esse âmbito, o artigo 205 da Constituição Federal, promulgada em 1998, delega como dever do Estado e da família propor uma educação de qualidade aos futuros brasileiros. Assim, o Mapa da Aprendizagem de 2019, constatou que 54% dos jovens de classe baixa afirmam pouca participação de seus pais em seu eixo acadêmico. Dessa maneira, é importante frisar a má atuação de muitas famílias no desenvolvimento de seus entes, visto que o dever de educar não é apenas das escolas, mas também dos pais e cuidadores.

Portanto, para que as gerações futuras possam usufruir do universo literário, medidas devem ser tomadas. Nesse viés, o Ministério da Educação deve propor um auxílio, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, cuja nome seja “bolsa literária”, que será disponibilizado mensalmente para as famílias de baixa renda com o valor de R$ 100,00, elas irão ter que frequentar mensalmente um workshop nas escolas de seus filhos e gastar esse valor em livrarias parceiras. Com isso, espera-se estimular o hábito da leitura e da escrita, além de gerar um vínculo entre as escolas e as famílias dos alunos.