A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 07/12/2020
A produção cinematográfica americana “Mãos Talentosas” retrata a história de Ben Carson, um jovem periférico, que enfrentava problemas sociais e familiares em decorrência da sua condição financeira e possui toda sua trajetória moldada a partir do incentivo materno à educação, tornando-se um excelente neurocirurgião. Em contraste ao cenário brasileiro, percebe-se o notório descaso infanto-juvenil para com o ensino em razão à alienação das estruturas midiáticas que favorecem o entretenimento digital em detrimento da literatura e à falta de incentivo familiar na prática da leitura. Dessarte, é fulcral discutir a cerca da importância da literacia familiar no contexto brasileiro.
A priori, é imperioso destacar o papel nocivo à educação que os dispositivos eletrônicos exercem, caso administrados sem prévia orientação. Nesse sentido, segundo dados qualitativos da Organização Mundial da Saúde de 2019, o mau uso do celular prejudica o estímulo às habilidades cognitivas, afetando na aprendizagem do indivíduo, principalmente na juventude, posto que o cérebro ainda está sendo desenvolvido. Desse modo, nota-se o desamparo governamental no que tange a instrução e a disseminação de informações que busquem evitar o uso imoderado das novas tecnologias.
A posteriori, a omissão do estímulo à literacia lúdica e participativa no ambiente familiar desde a infância implica menor interesse do infante a cultivar hábitos de leitura. Ademais, de acordo com Carlos Nadalim, secretário de alfabetização do Ministério da Educação e Cultura, a prática literária na esfera parental contribui para o desenvolvimento econômico e cultural do indivíduo. Nesse sentido, esse progresso social é justificado, visto que o fomento à educação contribui com o processo de ascensão financeira e social e simultaneamente com a diminuição das desigualdades.
Posto isso, é necessário adotar estratégias nacionais que visem o aperfeiçoamento e incentivo educacional e do desenvolvimento social, dispondo como ponto de convergência a literacia familiar no Brasil. Destarte, é fundamental que o Tribunal de Contas da União direcione capital ao Ministério da Educação e Cultura, para que este direcione palestras e propagandas televisionadas que auxiliem no processo de integração de obras literárias no âmbito familiar, direcionadas principalmente à parcela infanto-juvenil e concomitantemente promova a conscientização dos malefícios do uso desregrado de aparelhos eletrônicos aos progenitores. Com essas medidas, aprimorar-se-á, em médio e longo prazo, os efeitos benéficos da educação literária e a coletividade possuirá novas trajetórias de superação como a de Ben Carson.