A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 07/12/2020

A literacia familiar, ato de ler para os filhos, teve origem na Europa renascentista, a partir da invenção da imprensa, por Gutenberg. Essa prática contribui significativamente para um maior desenvolvimento intelectual e social das crianças. Entretanto, tal hábito vivenciado na Europa se distancia da realidade brasileira, a qual, o desconhecimento acerca da temática e a extensa desigualdade social impedem que a leitura receba a devida importância, sobretudo na infância.

Sob uma primeira análise, deve-se destacar que o desconhecimento acerca da importância dos livros na vida dos filhos, torna obras literárias ausentes dos lares brasileiros. Segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, as pessoas nascem sem nenhum conhecimento de mundo, e esse é adquirido em vários contextos, destacando o familiar. Sob tal ótica, muitos genitores entendem que o processo de aprendizagem é dever somente das instituições escolares, e acabam negligenciando o seu papel quanto primeiro formador, e devido o ausente hábito de leitura para as crianças, acaba atrasando o processo de desenvolvimento social e intelectual na infância. Dessa forma, a incompreensão do seu valor para os filhos torna a literacia familiar uma realidade distante para os brasileiros.

Ademais, a desigualdade social que assola o país distancia a leitura das famílias nacionais. Em sua obra “O primo Basílio”, o escritor Eça de Queiros critica a instituição familiar moderna e revela as suas crises e a perda da sua função social. Sob esse cenário, os lares brasileiros exemplificam a falência denunciada por Eça, de modo que é inviável ser leitor em um ambiente marcado pela fome, falta de afeto e pela ausência parental. Dessa forma, enquanto houver lares desestruturados, os pais e até as próprias crianças serão incapazes de perceber a importância de uma das práticas mais relevantes para a humanidade: a leitura.

Em suma, a literacia familiar ainda enfrenta obstáculos para se tornar presente e importante no Brasil. Portanto, urge que o Ministério da Educação, por meio de verbas governamentais, promova palestras nas escolas com profissionais capacitados, que serão destinadas aos pais, sobre o significado da literacia familiar e como a tornar um habito em seus lares; com o fito de expor como a prática ajuda o desenvolvimento intelectual e social das crianças e como a ausência o atrasa e o dificulta. Além disso, o mesmo ministério juntamente á assistência social de cada cidade, por intermédio de verbas públicas, deverá criar bibliotecas gratuitas com um acervo de livros para todas as idades, deverão ser construídas em lugares estratégicos de regiões carentes, e amplamente divulgadas nesses locais por intermédio de panfletos convidativos, com a finalidade de minimizar a desigualdade desses lares através da leitura. Com essas medidas espera-se uma sociedade equiparada a Europa renascentista.