A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 08/12/2020
É incontrovertível a necessidade de ir ao encontro à importância da literacia familiar no Brasil. Acerca disso, para o sociólogo Émile Durkheim, a família é a primeira Instituição Social que perpassa a infância do indivíduo, sendo fundamental para à introdução na vida em sociedade. Dessa forma, o conjunto de práticas, atividades e experiências relacionadas à fala, leitura, escrita e expressão, realizada no contexto familiar, é primoroso para o desenvolvimento social e educacional do infante. O que se nota, no entanto, na realidade brasileira, é a dificuldade para a efetivação dessa prática nas famílias, ora pelo desconhecimento dos pais quanto à importância desse processo, ora pela inviabilidade da aplicação em famílias de vulnerabilidade social e econômica - determinantes no processo de educação.
Em primeiro lugar, é válido ressaltar que, consonante à Durkheim, o psicólogo Vygostky, define que o desenvolvimento da criança, é produto do meio sociocultural no qual ela está inserida. Nesse sentido, nota-se que a desigualdade social encontra-se como um desmotivador para a efetivação dessa prática, visto que, de acordo com o diretor da Secretaria da Alfabetização, Willian da Cunha, as famílias pobres são mais deficientes no hábito de leitura e nas atividades relacionadas ao desenvolvimento educacional das crianças, o que torna claro, o abismo entre a alfabetização dos filhos da alta e da baixa classe.
Em segundo lugar, é importante destacar que, de acordo com a Constituição Federal, a educação é direito de todos, impondo-se, ao Estado e à Sociedade Civil, o dever de assegurar essa legislação. Nesse sentido, de acordo com o artigo 205 da Carta Magna, a educação será promovida e incentivada com a colaboração da Sociedade e da Família. O que se nota, pois, na realidade, é a inoperância desses agentes, uma vez que, o desconhecimento dos pais quanto à capacidade no desenvolvimento formativo dos seus filhos, somado ao baixo orçamento estatal quanto aos investimentos em projetos de literatura nas escolas e comunidades carentes, ainda é empecilho para a concretude desse direito.
Por tudo isso, depreende-se que é necessário mais que garantir o direito em lei para assegurar que essa prática se concretize. Logo, urge que o Ministério da Educação (MEC), juntamente à Secretaria da Alfabetização, elabore uma plano de educação parental, por meio de cartilhas compostas por contos literários e um guia de orientação aos pais, que apresente diversas possibilidades de realizar as atividades, com o objetivo de fomentar o hábito da leitura em um maior contingente de famílias. Ademais, urge que o (MEC) em parceria com as mídias televisivas, divulgue ostensivamente, em horários estratégicos, projetos como o “Conta pra Mim”, do Governo Federal, com o intuito de democratizar o acesso à esse material, para assim promover a literatura no contexto familiar e contribuir para a formação integral do cidadão infante brasileiro.