A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 08/12/2020
Segundo o Plano Nacional de Educação (PNE), que determina as diretrizes para a política educacional do Brasil, a literacia familiar consiste em um conjunto de práticas e experiências relacionadas com a leitura, a escrita e a linguagem vivenciadas entre cuidadores e filhos. Tal definição pontua a importância do envolvimento familiar com o processo de aprendizagem, sobretudo das crianças, visto que durante essa etapa do desenvolvimento o cérebro humano apresenta maior plasticidade e consequente facilidade em adquirir novos hábitos. A literacia familiar mostra-se basilar e, por mais que venha sendo valorizada pelas esferas pública e privada, ainda encontra problemas para se consolidar.
Primeiramente, o estilo de vida que se leva hodiernamente dificulta o estreitamento de laços entre pais e filhos. Costumes como almoçar em família e priorizar algumas horas do final de semana para acompanhar a vida escolar das crianças têm se tornado progressivamente mais raros, fazendo com que integrantes da família se sintam cada vez mais desconfortáveis em compartilhar momentos, inclusive de leitura, o que impossibilita a literacia.
Ademais, é necessário frisar a enorme desigualdade brasileira, que reflete no acesso aos livros: atualmente, o Ministério da Educação (MEC), por meio do programa Conta pra Mim, disponibiliza um acervo digital com diversas obras literárias. Porém, segundo pesquisa divulgada neste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 1 em cada 5 lares brasileiros não possui acesso à internet. Dessa forma, esse e outros programas, como o Leia para uma Criança, idealizado e financiado pelo banco Itaú e que também possui seu acervo prioritariamente em formato digital, não atingem todas as famílias.
Segundo Paulo Freire, a educação dialoga com o conhecimento de mundo da criança, por isso faz-se tão necessário ampliá-lo por meio da leitura. É papel das famílias priorizar o contato com suas crianças, apresentando a leitura como mecanismo de libertação, com o fito de tornar a leitura uma atividade prazerosa. Outrossim, o MEC deve, no ato da matrícula das crianças nas escolas da rede pública, registrar se as famílias possuem acesso à internet. Assim, será possível direcionar o acesso ao acervo digital do programa Conta pra Mim às que possuem e providenciar livros físicos por meio de parcerias com a iniciativa privada, como o programa Leia para uma Criança, para as que não possuem. Dessa forma, todos serão contemplados, de forma que cada vez mais cidadãos críticos e conscientes serão formados.