A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 08/12/2020
Na obra “A Menina que Roubava Livros”, do escritor Mark Lusak, Liesel é uma garota que encontra na leitura uma forma de fugir dos danos, físicos e psicológicos, causados pelo impiedoso Nazismo. Nesse sentido, fora do contexto literário, esse exemplar evidencia um debate relevante no Brasil hodierno: a importância literacia, inclusive a familiar. À vista disso, não há dúvidas de que, gradativamente, a desigualdade social e a formação de concepções deficitárias em relação ao mundo corroboram a dificuldade em difundir o hábito de ler entre as famílias brasileiras.
Convém ressaltar, primordialmente, a disparidade socioeconômica presente no território brasileiro como um fator para a tenacidade do problema. Nesse contexto, apesar de a Constituição Federal de 1988 assegurar o direito à leitura para todos os cidadãos, ele não é, de fato, materializado. Decerto, isso ocorre devido aos altos preços dos livros, que segrega as camadas mais vulneráveis da sociedade ao restringir o consumo para aqueles com maior poder aquisitivo. Desse modo, a desigualdade e miserabilidade são inaceitáveis, pois, além de ir contra a própria legislação do país, permite o aumento da lacuna social entre ricos e pobres no Brasil e impede que crianças às margens da sociedade usufruam da cultura.
Por conseguinte, a elaboração de convicções errôneas no que tange as vivências no mundo, por parte do público infantil, agravam essa problemática. Nessa esteira, de acordo com filósofo liberalista John Locke, o ser humano, quando criança, é como uma folha em branco, ou seja, é com as ideias externas que desenvolve seu pensamento interno. Sob tal ótica, quando a leitura não é comum no ambiente familiar, o indivíduo desenvolve uma formação precária, uma vez que não tem repertório cultural e literário para associar com experiências do cotidiano. Logo, desenvolvem-se jovens sem criticidade e potencialmente desinformados, sem o hábito de ler - o que jamais pode ser tolerado.
Portanto, urge a intervenção das autoridades competentes. Para isso, o Governo Federal, juntamente com o Ministério da Educação, deve, por meio de verbas governamentais, criar um grande acervo literário para as comunidades brasileiras, principalmente para as carentes, com estímulos para doações e empréstimos de livros, a fim de garantir a leitura para todos os cidadãos. Tal ação deve, ainda, promover palestras em escolas e locais de trabalho que, com a presença de pedagogos e psicólogos, mostre a importância da leitura na formação cidadã, para que se promova um olhar mais crítico dos brasileiros para o meio que vivem e para os hábitos que possuem. Somente assim, poder-se-á formar uma sociedade que confirme a relevância da literacia familiar.