A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 10/12/2020

Com o advento da internet pós Revolução do Meio-Técnico-Científico-Informacional, a literacia familiar, passou do plano físico para o plano virtual. Contudo, o hábito ler para seus filhos está longe de ser uma realidade na sociedade brasileira, visto que para substancial parcela de progenitores de baixa renda se encontram fora dessa realidade. Logo, mitigar as dificuldades socioeconômicas e estruturais é fundamental para que literacia seja realizada em sua totalidade.

Nesse cenário, o privilégio educacional entre pais e filhos persiste desde o Período Colonial. Nesse sentido, o séc. XVI marca o início dessa diferenciação educacional no país, em que apenas à aristocracia, tinham acesso à leitura. Sendo assim, não muito longe do contexto colonial, o ato de educar e ler histórias para as crianças na sociedade atual, ainda permanece sendo uma prática privilegiada das classes médias e altas da população brasileira. Com efeito, enquanto a desigualdade econômica for regra, a literacia familiar em sua totalidade será exceção.

Sob uma segunda análise, a omissão dos responsáveis prejudicam não só à alfabetização quanto a formação social da criança. A esse respeito, Paulo Freire, em sua obra “Pedagogia do Oprimido” defendeu que a família se mostra opressora em apenas depositar a educação e a alfabetização dos seus filhos sobre as instituições escolares. Nesse viés, a falta de informação familiar sobre a importância da leitura no desenvolvimento infantil como, na imaginação, no raciocínio lógico, como também na interpretação sobre o certo e o errado. Isso faz com que esses meninos e meninas se tornem, assim como seus pais, potenciais opressores de seus futuros filhos.

Portanto a isso, prefeituras e escolas poderiam liberar “wi-fi” e “tablets” para todos os alunos. Essa iniciativa poderia se chamar: “minha cidade minha escola” e teria como finalidade a interação entre os pais, alunos e professores, além de igualar e incentivar a leitura para todos os progenitores, livrando os filhos assim, do mal da opressão.