A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 10/12/2020
Segundo o filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein, “as fronteiras da linguagem de uma pessoa são as fronteiras de seu universo”. Nesse sentido, depreende-se que o conhecimento molda a maneira como as pessoas interpretam o mundo, interferindo nas suas ações diante das adversidades. Dessa forma, é de fundamental importância que as crianças cultivem desde cedo o hábito da leitura. Entretanto, também se deve considerar a qualidade dos conteúdos apresentados aos jovens, sob pena de causar danos irreversíveis ao imaginário do futuro da sociedade.
Primeiramente, convém destacar os impactos positivos da leitura no ambiente familiar. Nesse sentido, o sociólogo Peter Berger destaca a aprendizagem, a imitação e a identificação como os mecanismos pelos quais ocorre a socialização dos indivíduos. Esse processo se refere à interiorização de práticas, saberes, normas e valores que moldam a personalidade das pessoas nos primeiros estágios da vida (socialização primária). Nessa perspectiva, as crianças que convivem com pais que têm o hábito da leitura estão mais predispostas à leitura de livros e à aquisição de novos conhecimentos (aprendizagem), porque o exemplo dos adultos tende a ser reproduzido pelos jovens (imitação). Como consequência disso, os pequenos se sentem mais integrados ao ambiente familiar (identificação).
Em segundo lugar, vale ressaltar a importância da qualidade dos livros apresentados às crianças durante o seu desenvolvimento cognitivo. Isso porque todas as habilidades adquiridas na infância refletirão diretamente na vida adulta, como revelou um experimento conduzido pelo psicólogo espanhol Joaquim de Posada. Esse estudo constatou que as crianças capazes de postergar a gratificação imediata (uma habilidade aprendida no seio familiar), foram também aquelas com as melhores notas e os maiores salários décadas depois. Também é possível ampliar esse raciocínio para virtudes como a empatia e a tolerância, onde os indivíduos, com base em seus valores, escolhem ou não perpetuar as desigualdades sociais, a pobreza, a discriminação e a violência.
Portanto, faz-se necessário que os pais eduquem seus filhos com bons valores, caso contrário, o mundo se encarregará de doutrinar as crianças. Nesse sentido, o Ministério da Educação deverá oferecer oficinas práticas às escolas, orientando os pais a como ler e apresentar livros a seus filhos. Isso se dará por meio de parcerias público-privadas com editoras de livros nacionais, que trarão palestras de escritores especialistas em Homeschooling. Dessa forma, serão ensinados exercícios de oratória, contação de histórias e orientações de escolha de bons livros, com o objetivo de munir os pais com habilidades que enriqueçam a experiência familiar e que estimulem o hábito da leitura consciente.