A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 13/12/2020
O documentário Malala conta a história dessa jovem paquistanesa que, por ser mulher, mesmo sendo privada do acesso educacional, pelo Talibã, continuou seus estudos com o apoio dos seus parentes. Isso reforça a importância de haver literacia familiar para o desenvolvimento do indivíduo. No Brasil, entretanto, tal ação ainda é pouco efetiva entre a sociedade, visto que muitos pais não possuem o hábito de ler para os seus filhos e não são instruídos sobre a relevância desse ato.
É válido ressaltar, primeiramente, que o déficit do sistema público educacional não é algo recente, o que contribui para que grande parcela dos pais não desenvolvesse, ao longo de suas vidas, a prática da leitura. Dessa forma, tal falta de acesso a uma educação de qualidade resultou na manutenção de um legado cultural excludente, o qual é refletido dentro dos lares, quando as habilidade, que só são adquiridas por meio do ensino, não são repassadas para os filhos, como o ato de ler. Essa conjuntura é ratificada com o pensamento do educador Paulo Freire, que diz que caso a educação não seja libertadora o oprimido passa a ser o opressor, ou seja, esse ciclo caótico é nutrido.
Ademais, o baixo número de discussões sobre a valia da literacia familiar para o crescimento pessoal impede os pais de englobar as crianças em ações que podem enriquecer a edificação do conhecimento. Isso se confirma ao perceber que, conforme uma pesquisa da BBC, 60% dos responsáveis não gastam tempo de qualidade com seus filhos. Segundo o filósofo Arthur schopenhauer o campo de visão do ser humano é pautado pelo mundo que o cerca, logo oferecer tais informações aos pais estimulará o senso crítico deles para praticarem essas atividades no contexto doméstico, como leituras em geral , realização de receitas, aos quais podem estimular o raciocínio e agregar saberes.
Em suma, para enfatizar a importância da literacia familiar no Brasil, cabe à Receita Federal disponibilizar parte dos impostos arrecadados ao Ministério da Educação para que este possa criar, nas escolas, palestras educativas aos pais, uma vez por mês, contendo psicólogos e educadores, afim de instruí-los a englobarem as crianças em atividades de cunho educacional, de forma que estes adquiram habilidades complementares aquelas ensinadas nas escolas. Dessa maneira, certamente, com a efetivação da literacia familiar na sociedade, o país terá uma plena formação dos futuros cidadãos.