A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 11/12/2020

O filme “Extraordinário” retrata a história de Auggie, uma criança que nasceu com deformidades faciais e precisa realizar diversos tratamentos. Na trama, sua família utiliza da leitura como forma de aprendizagem, já que o menino não pode comparecer as aulas do colégio durante o tratamento. Apesar de se tratar de uma ficção , o longa-metragem enfatiza a importância da literacia familiar na formação das crianças no Brasil e no mundo. No entanto, esse processo ainda é deficitário no país, seja em virtude da liquefação das relações sociais, seja pela ausência de incentivo escolar acerca da temática.

Nesse sentido, é importante ressaltar, primeiramente, que a discussão sobre o tema tem sido negligenciada pela escola. Sob esse viés, Rousseau, em sua tese contratualista, disserta sobre o papel do estado na promoção da educação dos cidadãos. Entretanto, o governo, na figura das escolas e institutos de educação, não tem dado a devida importância para a promoção da literacia familiar, haja vista a ausência de campanhas de conscientização sobre a importância da família na educação das crianças e jovens. Como consequência, o desvelo governamental impede a contribuição da família no processo educativo, comprometendo a tese da Psicologia do Desenvolvimento (PD), a qual preconiza que a família é elemento primordial no processo de desenvolvimento psicossocial dos indivíduos.

Ademais, outro fator que corroba tal cenário é a diminuição das relações sociais no mundo moderno. Sob essa ótica, o sociológico Zygmunt Bauman, em sua tese sobre a “Modernidade Líquida”, afirma que, na atualidade, as relações entre os indivíduos tem diminuido drasticamente, em virtude do individualismo. Nesse conjuntura, a falta de preocupação dos país em relação a literacia familiar tem intrínseca ligação com a modernidade. Somado a isso, as longas jornadas de trabalho têm diminuido o tempo em que país e filhos ficam juntos, impedindo que o processo de interação social e de aprendizagem por meio da literatura aconteça de maneira satisfatória.

Fica claro, portanto, que a promoção da literacia familiar encontra barreiras na omissão do estado e na diminuição das interações familiares. Urge, dessa forma, que o Ministério da Educação, por meio de parcerias com a mídia, crie campanhas de conscientização para as famílias sobre a importância da literacia familiar diária na construção psicossocial das crianças, como alerta a PD. Talis campanhas devem conter entrevistas com educadores e psicológos sobre como participar da educação dos filhos por meio da literatura. Além disso, é interessante incluir entrevistas de país e crianças que são beneficiadas por essa prática, para dar visibilidade sobre sua importância. Com isso, as famílias poderão se conscientizar sobre esse processo e, então, reproduzirem, em suas casas, as cenas do filme “Extraordinário” com seus filhos.