A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 14/01/2021

Duas das obras principais obras do patrono da educação brasileira, Paulo Freire, - “Pedagogia do Oprimido” e “Pedagogia da Autonomia” -, afirmam que a educação não se limita ao âmbito escolar e que ela é a principal forma de superação das opressões socioeconômicas nenhum país. Nesse sentido pode-se afirmar que a formação de leitores não deve se limitar às instituições escolares regulares. Dessa forma, ao longo dos últimos anos tem se discutido a literacia familiar no Brasil. Nesse sentindo os desafios, principalmente, no que diz respeito à falta de habilidade e de hábito de leitura dos próprios pais.

Entre os elementos que contribuem para o desempenho acadêmico dos jovens que leem no país, destaca-se a formação de habilidades mais técnicas como um amplo vocabulário e, também, habilidades mais criativas, como a capacidade de extrapolar o mundo concreto. Isso está de acordo com a “Teoria das Múltiplas Inteligências”, desenvolvida pelo psicólogo estadunidense Howard Gardner durante os anos de 1990, que afirmava que as habilidades não se restringiam apenas às linguístico-discursivas e às lógico-matemáticas, conforme afirmado pelo ensino tradicional, mas incluíam também como sociointeracionais. logo, a leitura  faz com que haja formação de cidadãos mais complexos e mais capacitados de exercer o senso crítico.

Outro desafio que deve ser levado em consideração para a  formação de leitores no país é a falta apoio dos núcleos familiares, principalmente, porque falta, até mesmo aos pais, a habilidade de leitura  Dessa forma, segundo a teoria freiriana, formam-se não apenas estudantes, mas, acima de tudo, cidadãos capazes de superarem os objetivos de classe no país. Nesse sentindo, a leitura faz com que haja formação de cidadãos mais complexos e mais capacitados de exercer o senso crítico. Em outras palavras,  o analfabetismo funcional é fruto não apenas de uma alfabetização deficiente, mas, acima de tudo, da ausência da prática de leitura, o que demonstração que o incentivo vazio ao hábito da leitura não pode partir de uma estrutura parental que não, de fato, implementa essa habilidade.

É necessário, portanto, que se incentive a formação de leitores entre os adultos e idosos brasileiros pela  capacitação para a literacia familiar. Isso deve ser promovido pelo Ministério da Educação, a partir de oficinas de leitura pública, por meio de uma comunicação constante em palestras e debates no ambiente escolar. Essas atividades devem ser conduzidas especificamente por professores da área de linguagens e por professores da área de humanidades, haja vista que a leitura não é apenas a decodificação, é, também, uma passagem de uma visão do mundo.É necessário, portanto, que se mostre uma perspectiva global do processo educativo, presente nas obras de Paulo Freire.