A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 15/12/2020

A educação no Brasil império, mesmo universal na lei, era na pratica uma exclusividade da esfera das famílias de elite capazes de contratar tutores, ou educadas o suficiente para passar aos jovens, segundo o historiador brasileiro Ciro F. Cardoso. Na República, num contexto desenvolvimentista, a escola surgiu e se tornou o foco idealizado de mudança social do governo, mesmo abandonada. No hodierno, a educação mantem perto dessa configuração escolarizada, entretanto, o abandono total de práticas familiares de educação não é o ideal, tendo em vista, principalmente, a importância da literacia familiar. Nesse sentido, o debate sobre a importância dessa prática se faz necessário, a fim de identificar suas origens histórico sociais, e permitir assim a sua importante popularização.

Em a Crise da educação, Hannah Arendt trata da importância da educação tanto formal quanto informal das crianças não só para suas vidas, mas para o futuro com um todo. Discutindo as melhores formas, concluí sempre na importância da família e da presença constante da educação, nas suas diversas formas na vida da criança. Em consonância a isso, dados do ministério da educação indicam que quanto antes práticas de leitura forem estimuladas, por meio da literacia familiar, mais o futuro adulto se interessará pelo hábito, e mais preparadas chegam as crianças a escola. O que revelam os dados da Avaliação Nacional da Alfabetização, em que 50% das crianças em idade escolar estão abaixo dos níveis esperados, problemática em parte causada pelas deficiências na educação nacional básica, mas que podiam facilmente ser abrandadas, como exposto, pelas práticas de literacia familiar. Nesse contexto, o sociólogo francês Pierre Bourdieu trata sobre as esferas da formação, definindo-a nos habitus primário e secundário, família e instituições formais como a escola, respectivamente. É um erro recorrente acreditar que existem limites definidos entre as atribuições dos dois, resultando, dentre outros, na baixa prática de literacia familiar. Somado a isso, o tardio interesse com a educação infantil no Brasil, e a supervalorização do poder da escolar na república, gera uma memória intrínseca na sociedade brasileira, acostumada com ciclo deseducador que confia a educação das crianças nas mãos do sistema, e não vê o papel da sua participação na educação em casa.

Destarte, cabe ao Ministério da Educação a expansão do programa “Conta pra Mim”, já em ação mas limitado aos alunos já em idade escolar. Para isso, devem ser organizados ações sociais nas escolas municipais, estaduais e particulares interessadas para as comunidades próximas, com rodas de leitura, abertura da biblioteca da escola a comunidade e palestras com educadores, visando atender não só as crianças diretamente com a leitura, mas também os pais com informações sobre a importância do hábito. Dessa forma, popularizando a literacia familiar e contribuindo para a melhor formação das gerações futuras.