A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 15/12/2020

De acordo com o filósofo grego Platão, em sua obra “A República’’, os indivíduos deveriam viver com sabedoria, o que contemplaria a necessidade de todos na sociedade. Contudo, hodiernamente,  a dificuldade em lidar com a literacia familiar no país tem contrariado o raciocínio do antigo pensador, posto que panoramas deliberados têm impedido a efetivação de tal situação. Dito isso, a desigualdade socioeconômica e a fragmentação dos núcleos familiares são pontos que valem ser destacados.

Diante desse cenário, é válido ressaltar, inicialmente, que os problemas relacionados com a literacia familiar refletem os costumes estabelecidos pela população em um certo período histórico. Sobre isso, o filósofo francês Bourdieu disse os que os contextos sociais estão associados com a perpetuação de valores. Nesse viés, a segregação socioespacial e as desigualdades entre os cidadãos são fatos que impedem qualquer atitude educativa, por parte dos mais necessitados, ao público infantil, uma vez que os empecilhos ecônomicos fazem com que a inserção dos mais jovens no mercado de trabalho em detrimento dos estudos seja um realidade.Tal situação denota, por conseguinte, um quadro de caos que precisa ser combatido, já que, segundo informações divulgadas pelo jornal “Folha de São Paulo’’, a evasão escolar e o trabalho infantil, sendo isso em decorrência da necessidade de complementar a renda da família, aumentaram em mais de 10% no ano de 2020.

Além disso, a fragmentação familiar é um panorama que justifca, de certa forma, a dificuldade de efetivar a literacia no país. Isso ocorre porque, conforme o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, os indivíduos vivem de acordo com uma cultura local. Nessa perpectiva vista pelo pensador, a inclusão e a participação feminina nos contextos sociais, como no mercado de trabalho, evidencia um paradigma que dificulta o incentivo e o ensino compartilhado entre pais e filhos, posto que, culturalmente, a figura materna ainda é vista como alicerce para as práticas educativas. Desse modo, não é de se estranhar que a literacia familiar seja uma realidade distante para muitos indivíduos, já que a fragmentação familiar por divórcio e por excesso de trabalho, por exemplo, aumentaram em mais de 15% na última década, segundo o site G1.

Portanto, é indiscutível a atuação do Ministério da Educação nessa situação. Por intermédio de planos educativos, essa instituição deve ampliar as bolsas de estudo para os mais necessitados e deve disponibilizar materias didáticos, como livros de leitura e atividades de interpretação, tendo o fito de permitir a educação de todos e de facilitar a literacia familiar. Ademais, o Estado, por meio de leis, deve ampliar o tempo disponível dos pais com os filhos, sendo isso com férias coletivas, com a finalidade de faciliar o ensino de conteúdos imprescindíveis para o desenvolvimento cognitivo dos mais novos.