A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 18/12/2020
Em 2018, a revista estadunidense Journal of the National Association of Neonatal Nurses demonstrou, por meio de uma pesquisa, que o contato entre pais e bebês prematuros aumenta o nível de ocitocina, fortalecendo assim, o vínculo entre ambos e contribuindo para a diminuição de atrasos no desenvolvimento neurológico. Tal como a importância deste hormônio no desenvolvimento infantil, têm-se a literacia familiar, a qual consite no envolvimento dos pais na aquisição da leitura e da escrita dos seus filhos. Nesse contexto, pode-se enfantizar que essa aproximação é de suma importância para as crianças, visto que estimula o desenvolvimento cognitivo e preparam-as para a convivência social.
Em princípio, é válido ressaltar que a inserção da criança no mundo letrado desde cedo expande seu processo cognitivo, pois essa imersão desenvolve diversas habilidades, tais como a compreensão, a interação e a interpretação. Nesse sentido, a leitura e a contação de histórias não é apenas um processo instintivo de decifrar letras, mas também um processo pelo qual se adquire conhecimento - como se pode observar na seguinte frase da escritora brasileira Cecília Meireles: “A literatura não é, como tantos supõem, uma passatempo, é uma nutrição”. Tendo em vista este panorama e analisando esta frase, pode-se mencionar que nutrição metaforiza os benefícios advindos da literatura, os quais são mais intensos, sobretudo, durante a infância, devido ao fato de a formação neurológica ainda estar em trânsito.
Além disso, ao considerarmos a elevada heterogeneidade vigente na sociedade brasileira, a prática da literacia familiar favorece o convívio social, uma vez que o contato com a pluralidade advindo dos contos e das fábulas infantis, aliado ao acompanhamento dos pais e suas devidas orientações, pode desenvolver valores com empatia e solidariedade. De acordo com o sociólogo fancês Émile Durkhein, a primeira instituição social que um indivíduo tem contato é a família, ou seja, muito dos valores adquiridos neste primeiro choque iram se refletir no comportamento desta pessoa em meio ao corpo social. Dessa forma, se o contato entre pais e filhos for intermediado pela literatura, práticas preconceituosas, como o racismo e a xenofobia poderam ser extintas, dado que a literatura propicia o contato com o diferente e os pais ensinam valores.
Portanto, torna-se envidente a necessidade de tornar hábito a prática da literacia familiar. A fim de alcançar tal panorama, o ministério da educação deve investir em aparatos que auxiliem e informem os pais sobre a importância de inserir seus filhos, desde muito cedo, na esfera literária, ministrando palestras e informando nas mídias digitais. Com isso, seguindo a lógica de Cecília Meireles, as crianças se nutriram ao passo que o Brasil se desenvolve no âmbito educacional.