A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 15/12/2020
Na obra literária “Um caminho para a liberdade”, da escritora Jojo Moyes, um grupo de mulheres forma uma biblioteca itinerante que leva livros para uma população marginalizada e de regiões afastadas. Ao longo do livro, percebe-se que com a democratização da leitura, as pessoas mudam e evoluem. Fora da ficção, isso também é possível com o incentivo à literatura familiar. A importância da aferição dela está tanto no indivíduo quanto na sociedade, o primeiro devido a desenvoltura de habilidades linguísticas, e o segundo pelo combate a perpetuação das mazelas sociais.
Primeiramente, segundo Freud, as crianças são como reflexos dos pais. Logo, para o incentivo do hábito de leitura desde a infância, é primordial que os pais deem o exemplo e o pratiquem em casa. Para isso, é fundamental uma literacia familiar, um conjunto de práticas e experiências linguísticas feitas entre familiares que, segundo o Ministério da educação, ensina a criança a ler, escrever, ouvir e falar. Nesse viés, a pedagoga Cláudia Onofro afirma que crianças leitoras são mais participativas e empáticas. Assim, a prática mencionada traz benefícios como sociabilidade, proximidade aos pais, capacidade de reflexão e criatividade para o indivíduo.
Além disso, o hábito linguístico em questão pode ajudar a combater mazelas e ciclos de pobreza da nossa sociedade, em vista que a educação é uma forma eficaz de mudar a realidade. A respeito disso, o MEC em sua campanha “conta pra mim” afirmou que as crianças de até três anos que vivem em pobreza têm menos da metade do vocabulário daquelas de classe média alta. Isso prova que os marginalizados têm menos acesso a livros e ao vocabulário. Caso isso não seja mudado, as crianças marginalizadas crescerão e continuarão no ciclo da pobreza. Entretanto, com o incentivo à leitura pode-se quebrar o ciclo e garantir mercado de trabalho para as novas gerações.
Mediante o exposto, entende-se que a literacia familiar é um pilar essencial para construir uma sociedade brasileira mais justa e promissora. Com essa finalidade, o Ministério da Educação (MEC) ligado ao Ministério da cultura deve formar grupos de leitura conjunta. Isso pode ser feito através de maior tempo de funcionamento das bibliotecas públicas e com projetos escolares que juntem pais e filhos de todas as turmas para ler e interagir entre si pelo menos uma vez por semana. Com essas medidas efetuadas, será possível formar uma geração mais sábia além de dar um caminho para a liberdade das mazelas sociais, assim como no livro de Jojo Moyes.