A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 15/12/2020

A Constituição Federal, de 1988, rege que a educação é dever do Estado e da família. Entretanto, na contemporaneidade,habilidades educacionais,como a leitura, não são inclusas nessa responsabilidade compartilhada supracitada na Carta Magna.Nota-se, portanto, que o conceito errôneo de que a formação de leitores deve ser exclusivamente papel dos professores deve ser revisto, pois a a leitura promove o desenvolvimento de habilidades educacionais e corrobora para a desconstrução de impasses socioeconômicos.

Analisa-se, primeiramente, que duas das principais obras - pedagogia do oprimido e pedagogia da autonomia - do patrono da educação brasileira, Paulo Freire, refletem que a educação não deve se limitar ao ambiente escolar e é a principal forma de superação das opressões socioeconômicas no Brasil. Sob essa ótica, é imprenscindível analisar que o triste resultado do país em exames de qualificação educacional, como o PISA, é resultado da ideia equívoca de que a educação se restringe à escola. A partir dessa reflexão, urge a necessidade da formação de jovens leitores a partir do instituição familiar, pois essa prática é imprensindível para a formação acadêmica, através do senso crítico e vocabulário, e, além disso, fomenta a capacidade de compreensão das realidades do próximo, com a estimulação da empatia. Assim, a literacia familiar deve ser posta em questão para que as opressões socioeconômicas brasileiras, supracitadas por Freire, sejam reduzidas através de uma base educacional parental fértil que trabalhe em conjunto com as escolas.

Além disso, a falta de hábito de leitura dos pais é um desafio para a formação de jovens leitores. Nesse viés, é relevante apontar que os estudantes, muitas vezes, têm que lidar com os impasses da vida escolar sem qualquer suporte parental, terreno fértil para a fragilização da vontade do jovem de ler. Essa situação pode ser vista no documentário “Para o Dia Nascer Feliz”, que retrata as diferenças realidades de estudantes ao redor do país, focalizando nos seus medos advindos da escola,como a dificuldade de implementar,na rotina familiar, a frequência do estudo. Dessa maneira, é notório que o hábito da leitura pode mudar paradigmas e realidades sociais, gerando empregabilidade e diminuição das taxas de analfabetismo no país ao longo prazo e, por isso, deve ser estimulado pela família.

Portanto, a atuação estatal para o incentivo à literacia familiar é necessária. Para tanto, cabe ao Ministério da Cultura incentivar o hábito da leitura através da criação de projetos literários, sem qualquer custo, que incentivem a ida das famílias às bibiliotecas públicas, com a finalidade de tornar a leitura um mecanismo de lazer, a fim de desconstruir a ideia de que jovens leitores devem ser formados somente na escola, seguindo a ideia da da Carta Magna de responsabilidade compartilhada.