A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 28/12/2020

Émile Durkheim, filosófo francês, acredita que a criança quando nasce não é um ser social, mas se torna, através da educação e da formação que recebe – como a leitura. Entretanto, a prática literária no âmbito familiar encontra-se fragilizada, apesar da sua contribuição para o desenvolvimento da sociedade, como aponta Durkheim. Sendo assim, esse cenário ocorre não só pela falta de tempo dos pais, mas também pelo o contato das crianças com a tecnologia. Tais desafios podem ser minimizados desde que acompanhados de incentivo familiar, junto ao incentivo do Estado.

Primeiramente, vale ressaltar a falta de tempo dos pais como obstáculo para promover a literacia familiar no Brasil. Segundo uma pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância - UNICEF – mostra que a metade das crianças entre três e quatro anos têm pais que não brincam e nem se envolvem no aprendizado dos filhos. Sob esse viés, a realidade exposta pelo estudo é um cenário nocivo para garantir que as crianças não desenvolvam o hábito literário em casa, visto que os pais não tenham o hábito de ler com os seus filhos. Dessa forma, é imprescindível que os pais separem um momento do dia para interagir com os filhos.

Outro aspecto a ser abordado é o desestímulo da leitura por causa do uso maléfico tecnologias pelas crianças. De acordo com um estudo na Grã-Bretanha, a fixação das crianças pelo uso de aparatos tecnológicos - como os celulares e tablets – os quais lhes permitem acessar as redes sociais, tem feito com que as crianças leiam em casa vez menos. Sob essa ótica, a responsabilidade de incentivar a leitura fica apenas sobre a escola e quando o aluno vai para sua residência ele não possui incentivo dos pais, o que gera o déficit de leitura em casa. Em consequência desse fato, o Brasil terá menos leitores enquanto essa cultura permanecer na sociedade contemporânea.

Portanto, medidas estratégicas são necessárias para reverter à falta de tempo dos pais e o uso exagerado de tecnologia para assegurar a literacia nos lares brasileiros. Logo, a escola – responsável pela formação cidadã de crianças - deve fomentar discussões com os pais no que tange a prática da leitura em casa, por meio de visitas periódicas nas residências dos alunos, com psicólogos e pedagogos. Espera-se, com isso, que a leitura familiar seja efetivada nos lares dos brasileiros. Além disso, o Ministério da Educação -  órgão responsável pela manutenção da educação no território nacional - precisa recomendar a redução do uso de celulares pelas crianças, por intermédio de propagandas televisas, a fim de estimular o uso controlado desses e garantir a prática literária.