A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 16/12/2020

Palavras têm poder

Em sua obra “Farenheit 451”, Ray Radburry descreve sobre uma sociedade distópica, em que a posse de qualquer livro é considerada crime, e as consequências dessa realidade. Embora a ficção do escritor americano possa parecer exagerada, serve de incetivo à contemporaneidade brasileira na busca por maiores incentivos à literacia familiar no país, que resulta em melhor desenvolvimento cognitivo, além de se contrapor à tendência tecnológica atual e suas consequências.

Em primeira análise, pontua-se sobre a capacidade de crianças e adolescentes em absorver conhecimento com maior facilidade em relação aos adultos. Ao analisar pelo estudo do portal “SBCoaching”, o qual explicita sobre a neuroplasticidade — a capacidade de aprender — crescente do ser humano que ainda não atingiu a idade adulta, fica claro que a transferência de conhecimento por meio da literacia familiar é fundamental no desenvolvimento intelectual de infantes e jovens. Dessa maneira, evidencia-se sobre como a tradição de leitura e letramento dentro de casa acarretam benefícios que serão usufruídos ao longo da vida do jovem, seja no aspecto teórico, com conhecimentos relativos às ciências aprendidas na escola, ou mesmo de compreensão social, por meio de um desenvolvimento interpretativo alavancado por livros e histórias.

Além das vantagens acerca da evolução educacional, a literacia familiar atua em contraponto às consequências advindas da digitalização da realidade. Segundo dados do portal “O globo”, o índice de livrarias que fecham anualmente quase dobrou na última década, fruto da evolução tecnológica. Mesmo assim, embora a criação de novas tecnologias tenha permitido a popularização de livros virtuais que democratizaram o acesso à literatura, também incentivaram a ascensão de redes sociais e outros serviços que substituíram o papel da leitura como meio de entretenimento. Assim, fica claro que o estímulo à literacia dentro da família mostra aos jovens outra realidade que não a cibernética: a da leitura, da escrita e mesmo da interpretação.

Em suma, observa-se uma tendência que acalora a neuroplasticidade das crianças e mostra uma realidade diferente daquela a que estão acostumados. Assim, o Ministério da Educação e Cultura (MEC), órgão responsável pela organização educacional e cultural no país, deve potencializar campanhas existentes — como a “Conta pra mim”—  e desenvolver novos projetos de incentivo à prática da literacia familiar, por meio de distribuições gratuitas de materiais em pontos escolares e incentivos fiscais às livrarias, para que, então, a realidade de Radburry seja apenas mais uma ficção disponível nas bibliotecas.