A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 17/12/2020

O livro A menina que roubava livros, de Markus Zusac, retrata a imersão da protagonista no mundo literário, possibilitado pelo aprendizado com o pai adotivo. Dessa forma, evidencia-se que a materialização da ficção na contemporaneidade brasileira se concretiza no processo de literacia familiar, fase determinante para o desenvolvimento do indivíduo. Entretanto, a escassez de programas de incentivo aos familiares, assim como a alfabetização precária para crianças de baixa renda, representam obstáculos a serem enfrentados pela prática literária no convívio familiar brasileiro.

A Constituição Federal Brasileira institui a Política Nacional de Leitura e Escrita como caminho para a universalização do direito ao livro. Como exemplo da atuação constitucional, a iniciativa da Secretaria de Alfabetização do Ministério da Educação, a partir do programa Conta pra Mim, em incentivar a valorização da leitura no âmbito familiar. No entanto, a quantidade de programas essenciais que apoiem a relação na família a partir da leitura ainda representa uma realidade pouco predominante no panorama brasileiro. Sendo assim, problemas como a dificuldade de socialização e aprendizado passam a se tornar recorrentes na vida de vários crianças.

Acrescenta-se que a alfabetização precária de jovens pobres evidencia um grande entrave para o desenvolvimento da vontade de ler, inclusive no convívio familiar. Prova disso, a persistência do projeto Criança Feliz, estabelecido pelo MEC, em diminuir as desigualdades sociais no processo de educação literária. Desse modo, observa-se que a constância da falta de alfabetização torna o aprendizado uma etapa mais difícil de ser atingida e, por isso, corrobora para o desinteresse dos utensílios de leitura e, muitas vezes, o abandono da escola. A partir disso, a frase do filósofo Michel Foucault, na qual “a vontade do saber é reconduzida pela maneira como o saber é disposto em uma sociedade”, encontra-se materializada na falta de comprometimento com a alfabetização de crianças menos abastadas socialmente.

Nesse contexto, para que a realidade fictícia possa se tornar um fato real para a literacia familiar brasileira são importantes medidas interventivas. Para isso, o Ministério da Educação, em conjunto com as Secretarias Estaduais e Municipais, deve atuar no investimento em programas que incentivem a leitura no ambiente familiar, os quais poderão atuar na orientação de profissionais capacitados às diversas famílias a partir de leituras dialogadas entre os pais e filhos. Além disso, o mesmo ministério, em conjunto com a Secretaria de Alfabetização, poderá agir no desenvolvimento da educação de crianças de baixa renda, por meio de um ensino qualificado para o nível de aprendizado desses indivíduos a partir de atividades que motivem a leitura como um hábito essencial e cotidiano.