A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 17/12/2020

A Constituição federal de 1988, documento federal mais importante do país, prevê em seu artigo 6º o direito à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na realidade, fazendo-se por observar a necessidade de gerar debates a respeito da importância da literacia das famílias brasileiras, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise de dois principais fatores favorecedores desse quadro: a questão governamental e a importância dada pela própria família em desenvolver a prática da literacia em casa.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais a respeito do incentivo de prática de literacia familiar, tornando esse um dos principais desafios a serem superados. Nesse sentido, essa conjuntura, segundo ideias do contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis como a qualidade da educação, que infelizmente é evidente no país. Tal realidade contribui para que os desafios encontrados na importância da prática de leitura feita pela família em casa sejam constantemente presentes.

Ademais, é fundamental apontar que a família é atuante principal nesse contexto, pois a falta de importância dada pela maioria dos familiares é potencializador considerável desse problema no Brasil. Assim, é possível afirmar que sem atuação ativa da família para estimular a prática de literacia familiar, essse problema continuará a se perpetuar. Isso ocorre devido ao censo comum histórico de que as crianças devem aprender apenas em ambiente escolar, fazendo assim com que as famílias se ausentem da participação na educação da criança a partir do ponto que a mesma começa a frequentar a escola. Dessa forma, é preciso que sejam rompidas as linhas de pensamentos que são perpetuadas na sociedade, de que só a escola tem papel de educar o jovem brasileiro.

Depreende-se, portanto, a necessidade de combater os desafios encontrados tanto no meio governamental, quanto no envolvimento familiar na prática da leitura em casa. Logo, é imprescindível que o governo, por meio das escolas, busque formas de integrar a família no contexto educacional dos seus filhos. Para isso, programas escolares devem ser criados de forma a levarem os pais ao ambiente escolar e praticar a literacia em família periodicamente, estimulando assim, que as famílias passem a executar tal prática também em seus lares. Desse modo, as famílias como atuantes principais, entenderão a importância de implementar a literacia, e assim, a educação como direito social fundamental no Brasil encontrará caminhos para seu asseguramento.