A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 18/12/2020

O sociólogo Emile Durkheim dissertou em suas obras que a família configura-se como a responsável pela primeira instância de socialização de um indivíduo. Em conformidade com essa ideia, urge o debate acerca da importância da literacia familiar no Brasil. Desse modo, deve-se discutir não só a ideia errônea de que a responsabilidade sobre a educação pertence somente a escola, mas também a dificuldade da organização do tempo familiar, como desafios para efetivação da prática citada.

É indispensável pontuar, primeiramente, que o seio familiar é responsável por introduzir a criança em sua vida educacional e, por conta disso, a literacia familiar é imprescindível. Por certo, muitas famílias possuem a concepção de que a escola é inteiramente responsável pela formação dos seus filhos, quanto à leitura e a escrita, o que dificulta a iniciativa das famílias em pôr em prática a literacia. Segundo John Dewey, a educação é desenvolvimento que reflete a própria vida do indivíduo e seus desdobramentos. Assim também acontece em ambiente familiar, em que, quanto mais cedo for iniciada essa educação, maiores beneficios isso trará para formação do cidadão e melhores os benefícios para seu desenvolvimento. Por isso, é de extrema importância construir a concepção de responsabilidade familiar nesse contexto, e não só da escola.

Ademais, é válido ressaltar a dificuldade dos país e/ou responsáveis em organizarem o seu tempo para introduzir, no cotidiano familiar, práticas e experiências envolvendo a liguagem, a leitura e a escrita com as crianças. É indubitável que as cargas horárias do trabalho, o tempo no transporte, o tempo gasto em atividades domésticas, entre outras funções atuais, preenchem o tempo dos cuidadores que necessitam de um maior esforço para adaptar a literacia à sua realidade. Conforme Karl Marx defendeu, a infraestrutura da sociedade é a sua economia. Dessa forma, em um país capitalista, o cotidiano dos cidadãos é corrido, feito para gerar lucro. Assim, é nítida a necessidade de meios para organização do tempo familiar.

Portanto, torna-se evidente que urge o debate sobre aliteracia familiar no Brasil. Para que se atenuem os desafios citados, cabe ao Governo Federal investir em promoção de informações, por meio de campanhas, a respeito da impotância da responsabilidade da família na educação dos seus filhos – Sendo crucial que essas sejam realizadas em meios populares, como o rádio– para que haja iniciativa por parte dos pais e/ou responsáveis. Outrossim, o Ministério da Educação deve disponibilizar cursos para introdução da literacia familiar e como adaptá-la a realidade de cada família. Sendo assim, a socialização em sua primeira fase será de maior êxito e trará inúmeros benefícios ao futuro do país.