A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 18/12/2020

A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema judiciário brasileiro - estabelece, em seu artigo 227, a responsabilidade familiar no desenvolvimento educacional dos menores. Entretanto, na contemporaneidade brasileira, parte substancial dos jovens não experimentam esse direito na prática, haja vista que a literacia familiar alcança taxas inexpressivas nas residências da federação. Nessa perspectiva, a desvalorização da literatura nacional destinada as crianças e a ausência de políticas públicas designadas à alfabetização funcional prejudicam o desenvolvimento intelectual dos pequenos. Com isso, a dificuldade do acesso à educação torna-se relato cotidiano.

É válido destacar, a priori, que a depreciação da literatura infantil no Brasil é responsável, na maioria das vezes, pelo desinteresse familiar em promover a prática da leitura. Nesse sentido, segundo o Instituto Pró-Livro, a média de leitura de obras literárias entre crianças e adolescentes é de apenas 8 obras ao ano e 56% dos livros são lidos na escola. Por óbvio, a desvalorização das obras infantis catalisa o déficit nos números da literácia no País, desse modo, o desenvolvimento do pensamento crítico e a capacidade criativa dos jovens é dificultado. Nesse sentido, a ausência de incentivo parental na prática contribui para a defasagem no sistema educacional e, por conseguinte, evidencia-se o descumprimento da carta magna vigente.

Ademais, é necessário ressaltar a insuficiência das políticas públicas vigentes no estímulo à alfabetização. Nesse panorama, Paulo Freire - expoente fundamental da educação brasileira -, em sua obra ``pedagogia do oprimido´´, demonstra a importância da funcionalidade do sistema educacional na  alfabetização e formação intelectual da juventude e disserta a relevância da sociedade critica e racional. Paradoxalmente a isso, no Brasil, a ineficiência educacional afeta diretamente na interpretação e no hábito de leitura e imersão cultural dos jovens. Assim sendo, de acordo com Indicador do Analfabetismo Funcional, 3 a cada 10 jovens não conseguem realizar interpretações simples. Infere-se, portanto, que o descompasso educacional compromete o desenvolvimento racional dos menores.

Sob tal ótica, é imprescindível popularização da literatura infantil e, além disso, torna-se imperioso a oferta de um ensino na alfabetização de qualidade. Para tanto, o Ministério da Educação, por meio de eventos pedagógicos, em presença parental - a exemplo de oficinas e sarais-, deve promover o conhecimento literário no âmbito intrafamiliar, com o intuito de instaurar a cultura leitora nos domicílios brasileiros e promover a arte nacional. Outrossim, é função do MEC, por meio de atividades extraclasses, extinguir as taxas de analfabestimo nacional. Dessa forma, alcançar-se-á o corpo social com habilidades críticas e criativas almejado por Paulo Freire.