A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 18/12/2020

A Constituição Federal do Brasil, promulgada em 1988, garante, em seu artigo 205, que a educação é um direito de todos e dever do Estado e da família. Contudo, ao analisar o cenário brasileiro, pode-se perceber que a lei não é obedecida, pois o baixo incentivo à leitura na infância contribui com dificuldades relacionados à aprendizagem, o que pode gerar, por conseguinte, abandono do ambiente escolar, violando a Carta Magna do país. Esse grave fato é decorrente da ineficácia estatal, aliada à falta de interesse das familias sobre o hábito de leitura.

Antes de tudo, é válido destacar a importância da literacia familiar no crescimento intelectual e pessoal dos indivíduos, conforme pode ser evidenciado pelos dados divulgados pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), os quais afirmam que a leitura na infância auxilia no desenvolvimento cognitivo e socioemocional das crianças. Desse modo, vale salientar que a falta de ações públicas é um agente determinante para a problemática, visto que, sem políticas de incentivo, a população continua a não estimular o hábito de leitura entre o público infantil. Assim, fica claro a responsabilidade do Estado na não efetivação do direito à educação.

Outrossim, a ausência de interesse familiar sobre a prática de leitura é outro fator perpetuante da situação. Consoante a isso, o sociólogo Émile Durkheim afirmava que é na infância que os indivíduos passam pelo processo de socialização, ou seja, aprendem os preceitos éticos e morais da sociedade. Sob essa óptica, é perceptível que a carência de estímulo à literacia no meio familiar coopera para que os indivíduos cresçam sem esse hábito, o que faz com que eles tenham dificuldades na escola e, por consequência, desistam do estudo. Dessa maneira, fica visível que a inércia familiar é outro agravante que auxilia na não consumação do artigo 205 da lei máxima do país.

Diante do exposto, o governo federal, agente responsável por administrar as questões que afetam todo o Brasil, deve, por meio de parcerias com estados, municípios e empresas privadas, criar e ampliar os programas de incentivo à leitura infantil, como o programa Leia para uma criança, do banco Itaú, a fim de que essa prática seja a todos os lares brasileiros. Além disso, deve, por meio de parcerias com as emissoras de conteúdo, criar campanhas nos meios de comunicação, rádio e televisão, sobre o quão importante é a literacia familiar para o desenvolvimento intelectual das crianças, com o fito de não só garantir o crescimento cognitivo no público jovem, mas também permitir a efetivação do direito constitucional à educação.