A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 23/12/2020
No livro “O Extraordinário” da escritora Raquel Jaramill, o garoto August é educado por seu pai e sua mãe em casa antes de começar a frequentar a escola. Tal fato contribuiu para tornar ele um aluno inteligente e exemplar no ambiente escolar. Entretanto, para além da ficção, essa realidade não é visualizada no Brasil, haja vista que a desigualdade social e à atribuição de educar dada somente às escolas dificultam que os pais exercitem a literacia familiar.
Primeiramente, é válido ressaltar que o artigo 205 da Constituição Federal afirma que todos têm direito à educação e que é dever do Estado e da família fazer valer esse direito. Porém, a desigualdade social, que perpetua no país desde os tempos coloniais, dificulta que os pais contribuam no ato de educar os filhos. Ou seja, uma grande parte das famílias brasileiras são de baixa renda e, como consequência, muitas pessoas não são alfabetizadas e, com isso, não conseguem praticar a leitura e escrita com seus filhos antes que estes cheguem no âmbito escolar.
Em segundo plano, convém citar que, geralmente, às famílias fogem da responsabilidade de uma educação doméstica e atribuem essa obrigação exclusivamente às escolas. No entanto, de acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a família é a primeira Instituição Social, isto é, ela é a responsável pelo aprendizado inicial das crianças. Destarte, é necessário que os pais entendam que a literacia familiar é imprescindível para o desenvolvimento de um cidadão que exerce o senso crítico, visto que o ato de ler e escrever em casa nos anos iniciais resulta no desenvolvimento das habilidades cognitivas dos seres humanos.
Por tudo isso, entende-se a necessidade de se modificar esse cenário. Sendo assim, cabe ao Ministério da educação, por meio da Secretaria de Alfabetização, organizar palestras ministradas por psicopedagogos nas escolas. Sendo que, esses encontros terão como público-alvo os pais e, como objetivo, a conscientização acerca do ato de exercer a literacia familiar. Dessa forma, haverá muito mais crianças como August e as gerações futuras terão mais pais que praticam ensino da leitura e escrita com seus filhos em casa.