A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 22/12/2020

A invenção da imprensa por Gutenberg, no “Século das Luzes”, não somente auxiliou na propagação dos ideais da Reforma Protestante, como também transformou a concepção de mundo conhecida até o momento. Além disso, facilitou o acesso ao conhecimento por meio de livros, os quais eram passados por gerações. Em contraponto, mesmo com tal avanço, há impasses hodiernos para que se promova o imprescindível hábito da leitura, principalmente, dentre o ambiente familiar, o qual estreita os laços empáticos parentais.

Em primeira análise, tem-se a elencação de habilidades cognitivas e socioemocionais como um benefício para a realização da literacia familiar. Nesse contexto, configura-se o pensamento do sociólogo Émile Durkheim, que aponta a instituição parental como o espaço de socialização primária do indivíduo, no qual adquire-se valores primais por meio dos vínculos estabelecidos. Assim, a proximidade entre pais e filhos no processo de aprendizagem e aculturação, torna o cenário propício para o desenvolvimento de cidadãos providos de senso crítico, conscientes de seus direitos e deveres perante à sociedade.

Todavia, a existência de uma nítida lacuna social e, consequente elitização do alcance ao conhecimento faz com que essa realidade esteja cada vez mais distante de camadas menos abastadas. Em um meio marcado pela máxima “Tempo é dinheiro”, com indivíduos “movidos” pela moeda e desempenho trabalhista, é recorrente a desigualdade socioeconômica e ausência do ócio, uma vez que é preciso a intensa labuta na tentativa de transformação desse panorama. Logo,em ambientes no qual há predomínio de escasso poder aquisitivo e intensa carga de trabalho, produtos negativos do sistema capitalista, há também a interrupção do elo do sujeito com a educação domiciliar.     Portanto, urge a necessidade de mudança dessa óptica ambígua. Faz-se mister, o intermédio do Ministério da Educação na acentuação de projetos já realizados pela Política Nacional de Alfabetização (conhecido pela sigla PNA), como o “Conta pra Mim”, com incentivos à leitura e musicalização infantil por meio da disponibilização gratuita em meios digitais e presenciais de materiais para os responsáveis. Aliado a isso, tem-se o estímulo à inatividade ao ofício em folgas para a manutenção da instituição familiar para tal realização. Em suma, objetiva-se a universalização do hábito parental de leitura e aprendizado em solo brasileiro, tornando a educação mais democrática.