A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 21/12/2020
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6°, o direito a educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem ser reverberado com ênfase na prática quando se observa a falta da valorização da literacia familiar, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater o déficit do ensino doméstico. Nesse sentido, o convívio social e o desenvolvimento cognitivo das crianças serão afetados de forma negativa, tornando-as mais tímidas no ambiente escolar e menos criativas. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como a proteção à infância, o que infelizmente é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar a falta de acesso aos livros como impulsinador da morbidez da leitura em casa no Brasil. Segundo o Instituto Pró-Livro o brasileiro lê cerca de 2,43 livros por ano, de acordo com a pesquisa realizada em 2020. Diante de tal exposto, fica nítido a dificuldade de obtenção de obras por conta de seus valores exorbitantes e da falta de distribuição das bibliotecas públicas no território. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescíndivel que o MEC, por intermédio da Secretaria de Alfabetização, investir em programas de incentivo a literacia familiar como o Conta pra Mim, construir novas bibliotecas em comunidades carentes e desenvolver projetos de escrita e leitura em escolas públicas, sempre com livros infantis e juvenis de todos os gêneros e linguagens para cativar e manter o hábito de ler em cada fase do desenvolvimento escolar e social dos alunos. Assim, se consolidará uma sociedade mais crítica, onde o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.