A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 22/12/2020

No livro “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury, entende-se a importância da leitura e como o totalitarismo e a opressão anti-intelectual retiram todo senso crítico de um cidadão, transformando-o em um ser robotizado e pronto para gerar lucro ao Estado. De maneira análoga, apesar de não estar em um regime totalitário, o povo brasileiro não possui a cultura da literacia familiar, visto que, para uma grande parcela da população, o principal objetivo é tornar-se mão de obra. Relacionado a isto, está a falta de políticas públicas efetivas que busquem incentivar e democratizar o acesso à leitura, desenvolvendo melhor o senso crítico e diminuindo as disparidades sociais no Brasil.

Primordialmente, torna-se importante entender que desde 1990, com a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente, os indivíduos com menos de 18 anos passaram a ter seus direitos assegurados por esse compilado de ordenamentos jurídicos, inclusive o da alfabetização, que deve ser garantido pela família ou pelo Estado. Dessa forma, a leitura contribui para esse processo por estimular a imaginação do leitor e aumentar seu repertório linguístico e comunicativo, sendo a porta de entrada da criança para a compreensão do sistema de escrita e conhecimento do princípio alfabético.

Outrossim, consoante o filósofo e professor Paulo Freire, “se a educação sozinha não muda a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Logo, compreende-se que a educação, direito básico garantido na Constituição de 1988, tem papel fundamental para o progresso, sendo a leitura uma forma de auxiliar na efetivação desse direito. No entanto, não é possível identificar tal efetivação, mesmo que esta seja dever estatal, visto que a ausência de políticas públicas demonstra a não problematização do tema por parte do poder governamental. A partir desse pensamento, faz-se necessária a intervenção estatal e social para maior incentivo à literacia familiar.

Infere-se portanto, a necessidade de implementação do hábito de leitura na rotina das crianças brasileiras, considerando que esta, traz benefícios indiscutíveis ao indivíduo e a sociedade. As escolas devem incentivar a prática da leitura infantil através da promoção de atividades dinâmicas na educação das crianças, que envolvam livros coloridos e com muitas imagens e que possam proporcionar a inserção da criança no contexto ao qual o livro está inserido a fim de gerar o interesse pela leitura e o surgimento de novos leitores. Paralelamente, as Secretarias Municipais de Educação devem realizar palestras semanais por meio de campanhas de inclusão literária divulgadas nas redes sociais, trazendo professores e psicólogos para participar do debate com o objetivo de incentivar a família a fazer parte da vida escolar de seus filhos e destacando a importância da parceira entre escola e família.