A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 23/12/2020
A invenção da imprensa por Gutenberg, no “Século das Luzes”, não somente auxiliou na propagação dos ideais da Reforma Protestante, como também transformou a concepção de mundo conhecida até o momento. Além disso, facilitou o acesso ao conhecimento por meio de livros, os quais eram passados por gerações. Em contraponto, mesmo com tal avanço, há impasses hodiernos para que se promova o imprescindível hábito da leitura, principalmente, dentre o ambiente familiar, o qual estreita os laços empáticos parentais.
Em primeira análise, tem-se a elencação de habilidades cognitivas e socioemocionais como um benefício para a realização da literacia familiar. Nesse contexto, configura-se o pensamento do sociólogo Émile Durkheim, que aponta a instituição parental como o espaço de socialização primária do indivíduo, no qual adquirem-se valores primais por meio dos vínculos estabelecidos. Assim, a proximidade entre pais e filhos no processo de aprendizagem e aculturação torna o cenário propício para o desenvolvimento de cidadãos providos de senso crítico, conscientes de seus direitos e deveres perante à sociedade.
Todavia, a existência de uma nítida lacuna social e consequente elitização do alcance ao conhecimento faz com que essa realidade esteja cada vez mais distante de camadas menos abastadas. Em um meio marcado pela máxima “Tempo é dinheiro”, com indivíduos “movidos” pela moeda e desempenho trabalhista, é recorrente a desigualdade socioeconômica e ausência do ócio, uma vez que é preciso a intensa labuta na tentativa de transformação desse panorama. Logo,em ambientes nos quais há o predomínio de escasso poder aquisitivo e intensa carga de trabalho, produtos negativos do sistema capitalista, há também a interrupção do elo do sujeito com a educação domiciliar. Portanto, urge a necessidade de mudança dessa óptica ambígua.Faz-se mister o intermédio do Ministério da Educação na acentuação de projetos já realizados pela Política Nacional de Alfabetização (conhecido pela sigla PNA), como o “Conta pra Mim”, com incentivos à leitura e musicalização infantil por meio da disponibilização gratuita em meios digitais e presenciais de materiais para os responsáveis. Aliado a isso, tem-se o estímulo à inatividade ao ofício em folgas para a manutenção da instituição familiar para tal realização. Em suma, objetiva-se a universalização do hábito parental de leitura e aprendizado em solo brasileiro, tornando a educação mais democrática.