A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 10/01/2021
A literacia familiar- ato de ler para os filhos- tem origem na Europa renascentista, a partir da invenção da imprensa, por Gutenberg. Essa prática melhora a qualidade da alfabetização e permite o contato prematuro entre obras literárias e as crianças. Todavia, aquilo que é realidade entre os europeus se mostra utopia no Brasil, já que a extrema desigualdade social e a alienação parental impedem que leitura receba a devida importância, sobretudo na infância.
De início, não há como promover o contato com os livros em uma sociedade marcada pela fome. A esse respeito, no século XVI, durante o período da Colônia de Exploração, apenas a aristocriacia - organização composta pelos nobres- tinha acesso à leitura e à alfabetização de qualidade. Ocorre que, no Brasil contemporâneo, a população pobre ainda é excluída da possibilidade de ler, o que reproduz a marginalização iniciada no século XVI. Assim, a escassez de recursos e a extrema desigualdade social tornam a literacia familiar uma realidade distante.
Sob outra análise, o escritor realista Eça de Queirós, em sua obra “O Primo Basílio”, critica a instituição familiar moderna e revela as suas crises e a perda da sua função social. Com efeito, os lares brasileiros exemplificam a falência denunciada por Eça, de modo que é inviável ser leitor em um ambiente marcado pela agressão à mulher, pela falta de afeto e pela ausência parental. Desse modo, enquanto os lares brasileiros forem desestruturados, as crianças serão incapazes de perceber a importância de uma das práticas mais relevantes para a humanidade: a leitura.
Portanto, as prefeituras, em parceria com as escolas de nível fundamental, devem buscar romper a marginalização histórica acerca da leitura, por meio da realização de projetos pedagógicos, como “workshops” e gincanas criativas que elucidam o poder de transformação da leitura para os estudantes, com o fito de mitigar a exclusão social com início no colonialismo brasileiro. Espera-se, com isso, que o Brasil seja capaz de alcançar o nível europeu no quesito prática de leitura.