A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 24/12/2020
A obra cinematográfica “Capitão Fantástico” retrata uma família que critica os modelos sociais contemporâneos, sobretudo, o padrão educacional tecnicista predominante, de forma que o protagonista educa seus filhos a partir do desenvolvimento de diversas habilidades, como a leitura. Tal cenário, entretanto, não representa a realidade brasileira, visto que as famílias enfrentam dificuldades em valorizar a literacia infantil, apesar de promover mudanças socioeducativas fundamentais para o desenvolvimento crítico da criança. Logo, é preciso haver mudanças em função de medidas já existentes promovidas pelo Estado e de superar o ensino conteudista.
Isto posto, a família é responsável pela socialização primária do indivíduo, de forma que exige a mobilização dos responsáveis para a construção crítica do cidadão. Segundo Durkheim, a educação possui papel socializador, de modo que é primordial na promoção de mudanças sociais e no desenvolvimento do sujeito. Nesse viés, uma Constituição Federal prevê a participação da família, um dos principais agentes socializantes, no processo educacional das crianças, exigindo, assim, o incentivo à leitura desde a infância. Todavia, de acordo com a UNESCO, somente 15% da população brasileira possui tal hábito, o que demonstra, por fim, a negligência estatal e familiar no incentivo ao desenvolvimento emocional, social e cognitivo de maneira adversa ao tradicional.
Ademais, como escolas valorizam o ensino conteudista, em contrapartida ao defendido pelo patrono da educação brasileira. Dessa forma, as escolas não priorizam o desenvolvimento de habilidades essenciais para o mercado de trabalho, como a leitura, de modo que as matérias transmitidas aos educandos, muitas vezes, não despertam a criatividade e não visam a construção cidadã do sujeito. Por conta disso, a “Escola Cidadã”, idealizada por Paulo Freire, não é concretizada, já que o modelo educacional predominante negligencia a formação de um espaço público pautado na literacia e no ensino de habilidades promovidas pela leitura, como oratória, empatia e conhecimentos gerais. Portanto, são necessárias mudanças, em função de fortalecer o papel da família na educação do indivíduo, como ocorre em “Capitão Fantástico”. Para isso, em parceria com entidades do Terceiro Setor que atuam nesse contexto, os centros de ensino devem divulgar, por meio de palestras e cartilhas para os pais, o “Guia da Literacia Familiar” desenvolvido pelo Governo Federal, em função de incentivar esse hábito. Paralelamente, com a mobilização do Ministério da Educação, tal processo pode ser consolidado a partir da modificação da grade curricular de formação dos pedagogos, em prol de valorizar a literatura brasileira e de capacitar os profissionais no incentivo à leitura na infância, de forma a contribuir para o fortalecimento da democracia nacional.