A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 24/12/2020

Na fase realista de Machado de Assis, ele identificou o corpo social brasileiro e arquitetou críticas aos hábitos egoístas e visíveis que definem o país. Não longe da ficção, vê-se aspectos parecidos no que se refere à questão da desvalorização da literacia familiar e suas consequências na sociedade. Diante de tal contexto, torna-se notória, como causa, a ausência de debate, tal como a escassez de conhecimento social. À vista disso, é crucial a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Convém ressaltar, a princípio, que a carência de debate se mostra como um dos obstáculos para a resolução do problema. Nessa lógica, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Dessa forma, para que a apatia com o alfabetismo doméstico, seja resolvida, faz-se necessário debater sobre ela. Todavia, nota-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é bastante silenciada em meios como a escola, a mídia e a própria casa do indivíduo, lugares onde o diálogo é escasso e, quando ocorre, regularmente se dá por meio de linguagem autoritária. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo aumentaria a chance de atuação nele.

Outrossim, constata-se que a falta de conhecimento social é uma das razões pelas quais o problema persiste. Segundo o filósofo Immanuel Kant, “pensamentos sem conteúdo são vazios e intuições sem conceitos são cegas”. De fato, embora esse pensamento não tenha sido escrito sob viés social, observa-se que a ideia se liga à questão do desinteresse familiar com a educação básica da criança no lar, já que o Estado não propicia nenhum ato conscientizador com o objetivo de educar o corpo social para resolver o contrato e, por esse motivo, a população infantil continua a sofrer com um desenvolvimento tardio. Destarte, é inaceitável que essa conjuntura continue a perdurar.

Portanto, ações devem ser tomadas para reverter o impasse. Faz-se indispensável, pois, que o Ministério da Educação, em parceria com a Prefeitura, elabore oficinas educativas, em locais públicos de grande movimento, para a população em geral, por meio de palestras de Professores, que orientem sobre como é importante o incentivo da escrita e leitura para o progresso infantil na escola. Ademais, nesses momentos, é preciso trazer para discussão os benefícios gerados a partir desse momento doméstico, para que haja o esclarecimento e, por consequência, o devido tratamento a esse grupo. Dessa maneira, talvez, o egoísmo permaneça apenas no universo de Machado de Assis.