A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 12/01/2021
No livro “O Sol é para Todos”, de Harper Lee, a personagem Jean Louise aprende a ler antes mesmo de entrar na escola, e isso se deve ao fato de que seu pai, Atticus, lê, junto a ela, jornais e livros diariamente, o que a deixa adiantada em relação a sua turma, meses mais tarde. Nesse sentido, torna-se evidente que o desenvolvimento da leitura no âmbito familiar agiliza o processo de aprendizagem. Contudo, esse cenário não é a realidade de muitas famílias brasileiras. Nesse viés, cabe analisar a desigualdade social e a dificuldade de se obter atenção das crianças diante das inúmeras plataformas de entretenimento.
Em primeiro lugar, faz-se necessário recordar que o Brasil ainda enfrenta um de seus maiores obstáculos: a desigualde entre as classes sociais. Nesse âmbito, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) diz que o Brasil é o nono país mais desigual do mundo. Diante disso, nota-se que o desenvolvimento do hábito da leitura não é democrático, uma vez que as famílias de baixa renda têm suas preocupações direcionadas aos assuntos relacionados a sua alimentação, moradia e trabalho. Além disso, falta de tempo dos responsáveis no que concerne o desenvolvimento do hábito literário das crianças se deve ao fato de que na maior parte de seu tempo os pais estão trabalhando com a finalidade de conseguirem custear suas principais preocupações.
Outro fator a se destacar é a ampla concorrência que a leitura possui, tendo como principais rivais a televisão e plataformas de entretenimento. Nesse âmbito, a Crescer, revista da editora Globo, realizou uma pesquisa em 2018 com 2.044 famílias que possuem crianças com idade de 0 a 8 anos. Ao final da pesquisa, constatou-se que 75% das crianças veem televisão e 60% utilizam o telefone. Além disso 98% das crianças ligam o aparelho para assistir vídeos. Portanto, percebe-se que as crianças estão cada vez mais na frente das telas, as quais possuem diversas opções de entretenimente a um só clique, o que as afasta de atvidades como a leitura, que é um hábito que exige paciência e atenção, podendo ser considerada como algo “chato”, já que não estão acostumadas a esse tipo de atividade.
Portanto, torna-se evidente a necessidade de ações por parte do Estado para desenvolver o hábito da leitura na primeira infâcia no âmbito familiar. Diante disso, o Ministério da Educação deve incentivar tal hábito por meio da criação de uma disciplina na pré-escola que aborde a prática de leitura, com a intenção de que o hábito literário possa prevalecer com o passar dos anos. Nas aulas, os professores devem realizar a leitura do livro que a turma escolher. Assim a leitura será realizada diariamente, e os frutos desse hábito serão colhidos futuramente.