A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 28/12/2020
Duas das obras principais do patrono da educação brasileira Paulo Freire- Pedagogia do opromido e Pedagogia da autonomia- afirmam que a educação não se limita ao âmbito escolar e que ela é a principal forma de superação das opressões socioeconômicas no país. A partir dessas reflexões, pode-se afirmar que a formação de leitores não deve se restringir as instituições escolares regulares, mas deve se dar também no núcleo familiar. Dessa forma, ao longo dos últimos anos e, principalmente, a partir do último programa de alfabetização tem-se discutido a literacia familiar no Brasil. Por isso, é necessário discutir sobre a falta de habilidade e hábito de leitura dos próprios pais, além da atribuição errônia dessa responsabilidade unicamente aos professores para entender os desafios desse elemento de formação de futuros leitores.
Primeiramente,os elementos que contribuem para o desempenho acadêmico dos jovens são a formação de habilidades mais técnicas e criativas, como um amplo vocabulário e a capacidade de estrapolar o mundo concreto, respectivamente. Isso está de acordo com a Teoria das múltiplas inteligências desenvolvida pelo psicólgo Howard Gardner, que afirmava que essas não se limitavam a apenas aos recursos linguísticos matemáticos conforme afirmado pelo ensino tradicional, mas incluindo os sociointeracionais. Assim, a junção dessas competências facilita a sua interação com textos complexos a exemplo de artigos de opinião, editorial, leis e editais, o que faz com que haja a formação de cidadãos mais complexos e aptos de exercerem o senso crítico. Dessa maneira, segundo a teoria Freudiana, formam-se não apenas estudantes, mas acima de tudo, indivíduos capazes de superarem os obstáculos de classe no país.
É necessário, portanto, que se incentive a formação de leitores entre os adultos e idosos brasileiros, seja pelo papel modelo, seja pela capacitação para a literacia familiar. Isso deve ser promovido pelo Ministério da Educação a partir de oficinas de leitura públicas por meio de uma comunicação constante entre palestras e debates em ambiente escolar. Essas atividades devem ser conduzidas especificamente por professores da área de linguagem e humanidades, haja vista que a leitura não é apenas a codificação, mas também a passagem de uma visão de mundo. Além disso, é imprescindível que esses encontros descontruam a ideia de que a educação cabe apenas a escola, mostrando uma perspectiva global do processo educativo presente nas obras de Paulo Freire. 0