A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 29/12/2020

No longa metragem nacional “Central do Brasil” é retratada a história de Dora e Josué, uma escritora aposentada e um menino orfão que, através da leitura e da produção de cartas, mudam para sempre a vida um do outro. Fora da ficção, é fato que a leitura mostra-se importante, principalmente durante a primeira infância: a literacia familiar faz-se extremamente pertinente e tem sido tema de debates no Brasil e no mundo. Nesse sentido, deve-se avaliar como a prática interfere no desempenho cognitivo dos jovens e intensifica as relações familiares.

Em primeira análise, cabe averiguar o impacto que a  leitura familiar exerce sobre a formação intelectual dos cidadãos brasileiros. Consoante ao escritor Henry Thoreau: muitos homens iniciaram uma nova era em suas vidas a partir da leitura de um livro. Nesse contexto, tal lógica mostra-se verdadeira: o ato dos pais de apresentar um livro aos filhos pode acelerar exponencialmente a evolução intelectual, criativa e coletiva da criança e prolongar o seu desenvolvimento para além das dependências escolares. Assim, a leitura na infância tem como resultado a formação de jovens promissores e adultos de sucesso e abre espaço para uma nova era, como dito por Thoreau.

Somado a isso, a literacia familiar é um excelente instrumento no que tange à potencialização e ao fortalecimento dos laços afetivos. Nesse sentido, o filme americano “Mãos Talentoosas” aborda a história de um neurocirugião que conhece a leitura atarvés de sua mãe, e utiliza-se do recurso para tornar-se mais proximo de sua genitora e atingir seu sucesso profissional. Fora do cinema, é fato que a experiência abordada no longa assemelha-se à de muitas crianças brasileiras. A literacia parental permite aos filhos uma maior intimidade com os pais e assim intensifica o afeto e a confiança familiar. Como consequência disso, além de apresentar melhoras cognitivas, tanto os jovens como os adultos apresentam também avanços psicológicos, familiares e sociais.

Isso posto, torna-se necessário um debate a nível nacional sobre o tema. É dever do Ministério da Educação, em parceria com as escolas e famílias, incentivar o hábito da leitura familiar. Para isso, a criação e a divulgação de programas que estimulem os pais a lerem para seus filhos, através da disponibilização de livros digitais e gratuítos nas plataformas de educação do governo, a fim de despertar, tanto nos adultos, como nas crianças o desejo pela leitura é fundamental. Somado a isso, a participação das escolas, através da destinação de profissionais qualificados que palestrem aos pais e jovens sobre a importância da literacia na primeira infância é de extrema importância. Somente assim, será possivel concientizar os brasileiros sobre o valor de um livro e permitir que, atarvés de histórias, os “brasileirinhos” possam construir uma nova história, como afirmados por Henry Thoreau.