A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 29/12/2020
A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro - prevê, em seu artigo 6º, o direito à educação e ao bem-estar social como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, a falta de alfabetização de uma parcela significativa da população limita o aprendizado em família e dificulta a universalização desse direito tão importante. Com efeito, um diálogo entre Estado e sociedade a fim de reverter esse cenário é medida que se impõe.
Em primeiro plano, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para lutar contra a alteridade do letramento de uma nação, visto que a dinâmica da população possui um claro contraste com as mazelas sociais. Nesse sentido, sem uma norma efetiva para oportunizar a igualdade, muitos continuarão enfrentando dificuldades em participar ativamente na construção literária de seus filhos, visto que também não tiveram acesso à escolarização. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista Jhon Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como o direito educativo.
Diante desse cenário, a alfabetização é o caminho para garantir perspectiva de vida ao brasileiro. Nesse sentido, Paulo Freire desenvolveu a obra “Pedagogia do Oprimido” e defendeu que a educação seria capaz de libertar o indivíduo da opressão social. Todavia, a ineficácia do Estado para garantir, na prática, esse direito a todos, prejudica o ideal proposto pelo pedagogo, já que a defasagem educacional inviabiliza a entrada no ensino escolar e o desenvolvimento do cidadão. Desse modo, torna-se difícil a adesão uniforme da sociedade ao contexto da literacia familiar. Logo, enquanto o analfabetismo funcional for a regra, a igualdade será a excessão.
Ante o exposto, nota-se a carência de que os desafios da literacia familiar sejam, de fato, superados no país. Dessa maneira, as escolas devem viabilizar práticas de leitura, promovendo essa cultura para a população, por meio de projetos pedagógicos, como oficinas práticas, capazes de mostrar o papel transformador desse hábito. Essa iniciativa poderia se chamar “Virando o Jogo” e teria a finalidade de combater os problemas enfrentados pelas pessoas que não possuem acesso à leitura. Assim, o Brasil poderá ser, em breve, uma sociedade íntegra, justa e livre de disparidade social.