A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 30/12/2020

Segundo o professor brasileiro Paulo Freire, em sua obra Pedagogia do oprimido, a educação tem importância fundamental na superação das opressões socioeconômicas. Diante disso, é válido pontuar a relação direta entre habilidades de leitura e desenvolvimento sociointeracional, além de melhor desempenho acadêmico devido a maiores variantes vocabulares, criatividade e participação na escola, o que reflete,consequentemente,em melhor empregabilidade e produtividade dos indivíduos. Sendo assim, o questionamento sobre a literacia familiar e sua importância tem sido evidenciado no Brasil, visto que essa encontra desafios consolidados na desvalorização da leitura e na atribuição unicamente escolar a essa prática.

É importante analisar as raízes atribuídas a educação e sua elitização histórica no país.A exemplo do exposto,no século XVIII para ser médico ou advogado era preciso ter boas condições financeiras e estudar fora do país, já que aqui havia pouca valorização de escolaridade e graduação. Hoje em dia,apesar da universalização da alfabetização e da constante discussão sobre sua importância,há pouca efetividade diante de recentes avaliações. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2020,o Brasil apresenta 11 milhões de analfabetos,fora aqueles considerados analfabetos funcionais. Dessa forma,o hábito da leitura continua desvalorizado, principalmente em algumas classes sociais, visto que encontram obstáculos financeiros e não dispõem de tempo para ler.

Ademais,há um negligenciamento da responsabilidade parental diante do assunto,o que atribui a docentes a função de educar e apresentar materiais de leitura precipuamente na vida da criança. A medida que os pais se ausentam desse dever,perdem o contato com o desenvolvimento cognitivo dos filhos e a interação tão importante e positiva entre família e escola. Além disso,o filósofo francês Pierre de Bordieu falava sobre a concentração de ferramentas culturais nas classes dominantes e como isso contribui para a capacidade crítica de uma nação. É fato que,quem não lê bem e não valoriza esse hábito tem comprometidas suas funções argumentativas.  Diante da realidade democrática do país e da necessidade de melhoramento da cidadania é imprescindível a formação de bons leitores que futuramente saberão contribuir para o progresso brasileiro.

Dessarte,é salutar que o  Ministério da Educação em conjuntos com iniciativas privadas atue para a valorização da literacia familiar no Brasil. Esse deve, por meio de campanhas midiáticas e do fornecimento de materiais didáticos, bem como de materiais que orientam os pais nesse processo, fomentar uma parceria entre escola e família para a formação qualificada dos discentes. Para formar leitores capacitados de melhorar seus índices educacionais e ultrapassar barreiras socioculturais, Secretariais estaduais devem investir em bibliotecas nas áreas rurais e urbanas.