A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 31/12/2020

Na Carta Magna de 1988 - norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro - em seu artigo 6º, é garantido o acesso à educação para todo cidadão. Porém, tal legislação não tem-se verificado na prática quando se analisa a escassez literacia nos núcleos familiares, situação que de certo modo prejudica a plena formação cidadã das crianças, além de dificultar a universalização desse direito social. Nesse sentido, convém examinar as principais dificuldades da problemática: a negligência familiar na busca por meios de implantar a prática em seu cotidiano e a falta de acesso às obras literarias devido ao elevado custo.

A priori, é lícito postular que a omissão parental no debate, acerca da inclusão da leitura compartilhada nos lares, acaba por dificultar a resolução desse impasse. Alude-se ao pensamento do sociólogo Émile Durkheim, o conceito de que a família é o mecanismo primário de socialização, tendo como papel fundamental a transmissão de valores e sentimentos socialmente aceitos. Nessa lógica, é fundamental que haja o interesse dos familiares em repassar essas habilidades socioracionais encontradas nos livros - empatia, alteridade, altruísmo - visto que, seja de total importancia na construção individual do ser humano. Dessa forma,  faz-se imperativo reverter esse espectro negligente ainda presente no país.

Paralelo a isso, vale também ressaltar  a ineficiência governamental em aplicar leis que garantam maior facilidade na aquisição de livros. Segundo John Locke - filósofo contratualista do século XVII - essa conjuntura configura-se como uma violação do contrato social, pois o Estado não cumpre sua função garantindo os direitos essenciais, como a educação e ao conhecimento. Sob essa ótica, o obstáculo da desigualdade econômica pesa na maioria dos brasileiros, já que o alto custo das obras impede a aquisição por parte de inúmeras familias desfavorecidas, inviabilizando o desenvolvimento literário e sociológico nas periferias e regiões rurais. Com base nisso, percebe-se um prejuízo à ordem social, sendo imprescindível a dissolução desse descaso.

Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias a fim de minimizar os desafios encontrados no debate sobre a literacia familiar no Brasil. Logo, é imperativo que o Ministério da Educação (MEC), por intermédio de divulgações midiáticas - em meios digitais e televisivos - elaborem campanhas de incentivo a leitura lúdica e doação de livros usados entre familiares, demonstrando com dados científicos os inúmeros benefícios cerebrais no desenvolvimendo infantil, com o fito de, assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada pela efetivação dos elementos elencados na Constituição Federal.