A importância da literacia familiar em debate no Brasil

Enviada em 01/01/2021

A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país,prevê, em seu artigo 6º, o direito à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a falta de literacia familiar na sociedade brasileira, dificultando, desse modo, a universalização desse direito tão importante. Nessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise da negligência estatal e da desigualdade socioeconômica que favorecem esse quadro.

Em primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a falta de leitura, escrita e entendimento da linguagem como prática social entre as famílias brasileiras. Nesse segmento, é de suma importância enfatizar que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 29% da população brasileira é analfabeta funcional, ou seja, não possui habilidades para desenvolver raciocínios lógicos e interpretações de textos, impedindo, que essa parcela da população auxilie na prática da literacia familiar, já que o Estado não promoveu a alfabetização. Essa conjuntura, segundo as ideais do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre a sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como o direito à educação. Dessarte, é necessário que esse cenário se modifique.

Faz-se mister, ainda, salientar a desigualdade social como impulsionadora da dificuldade de exercer a literacia familiar.De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações econômicas, políticas e sociais em consonância com a desigualdade são características da “Modernidade Líquida” vivida no século XXI.Diante de tal contexto, é fulcral salientar que, consoante ao historiador Boris Fausto, a desigualdade econômica fomenta a desigualdade literária, dessa forma, torna-se impossível que cidadãos que não possuem alfabetização, ensinem seus filhos a ler e a escrever. Outrossim, torna-se evidente a inadequação dessa conjuntura na sociedade brasileira.

Infere-se, portanto,que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem a consolidação de um mundo melhor.Dessa maneira, é essencial que algo seja feito para incentivar a literacia familiar.Logo, o Estado, através do Ministério da Educação e por meio das Secretarias de educação, deve criar o fundo de incentivo a literacia familiar, exercendo aulas de alfabetização aos responsáveis de crianças e adolescentes, instituindo brincadeiras educativas e um auxílio bolsa livro para incentivar a compra de livros para as crianças brasileiras.Nesse sentido, o fito de tal ação é promover uma sociedade baseada na Carta Magna brasileira.Somente assim, esse problema será gradativamente erradicado, pois,conforme Djonga,“Mudando o presente moldamos o futuro”.