A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 04/01/2021
A obra literária “Infância”, do escritor modernista Graciliano Ramos, narra os sofrimentos e as angústias vivenciadas pelo autor durante a sua infância, os quais são superados mediante à prática literária. Analogamente, no Brasil, é inegável que a literacia familiar é importante, uma vez que ela promove benefícios no âmbito social e econômico. No entanto, tal prática enfrenta diversos desafios, principalmente no que diz respeito ao incentivo no núcleo familiar. Dessa forma, cabe a discussão desse tema, seja na esfera das suas pespectivas, seja no campo dos seus obstáculos.
É válido ressaltar, primeiramente, que a formação de leitores possibilita avanços socias e econômicos. À luz do pedagogo Paulo Freyre, em sua obra " Pedagogia do Oprimido", a educação atua como ferramenta de superação das opressões socioeconômicas. Consoante esse pensador, percebe-se que o contanto com os textos desde a fase infantil é responsável por desenvolver, não só um alto desempenho acadêmico, a exemplo de um vasto vocabulário, mas também por ampliar as habilidades sociointeracionais a curto e a longo prazo. Essa assertiva confirma-se na autobiografia do autor Graciliano Ramos, o qual enfretou a sua condição de miséria e de inustiça através da leitura. Por conseguinte, verifica-se que essa conduta formenta progresso no corpo social.
Apesar desses benefícios estimulados pela literacia, tal atividade enfrenta obstáculos para sua realização. De acordo o sociólogo francês E. Durkheim, em sua teoria acerca das “Instituições Sociais”, observa-se que a família encontra-se como instituição primária na formação dos indivíduos. Paralelamente a esse pensador, infere-se que a falta de habilidade e de hábito pela leitura dos pais desistimula esses jovens à afinidade pela literatura, o que demonstra que essa instituição torna-se incapaz de promover coesão social. Outro desafio, que deve ser abordado, é que as famílias brasileiras possuem uma visão equivocada em relação ao papel das escolas, visto que a elas são atribuídas unicamente a formação de leitores, isso se justifica por uma tradição ensino extremante conservadora. Em suma, entende-se que a literacia familiar é de extrema relevância socioeconômica à população, todavia esse mecanismo enfrenta desafios para o seu desenvolvimento. À vista disso, depreende-se que se iniciem medidas para alterar esse quadro. Urge que o Ministério da Educação, em parceria com as Famílias, incentive a formação de leitores entre os adultos e os idosos brasileiros, por meio de oficinas públicas de leitura, especificamente com palestras e debates no ambiente escolar, para que, assim, haja a capacitação para a literacia familiar. Além disso, faz-se necessário que nesses encontros desconstrua-se a ideia de que a educação caiba apenas a escola. Logo, será possível extrapolar as barreiras através da leitura, conforme o autor Graciliano Ramos retrata em sua obra “Infância”