A importância da literacia familiar em debate no Brasil
Enviada em 02/01/2021
A vida nômade apresentada em Capitão Fantástico, longa-metragem de 2016, ilustra uma família peculiar cuja educação dos personagens mais novos é imersa em grandes obras literárias. Fora das telas, é possível relacionar a ideia do filme com a literacia familiar, prática de extrema importância na formação do intelecto de crianças. Entretanto, no cenário brasileiro, tal atividade é negligenciada pelos pais. Além disso, a desigualdade social é determinante para os baixos índices de leitura dentro dos domicílios nacionais.
Em primeiro lugar, é válido destacar que, de acordo com a teoria de Freud, boa parte das características sociais dos indivíduos é condicionada por suas experiências durante a infância. Por isso, quando a leitura é estimulada de maneira precoce, jovens mais criativos e comunicativos são inseridos no corpo social. Infelizmente, o distanciamento contemporâneo entre pais e filhos vem se tornando cada vez mais comum, vide o advento da tecnologia que substitui o afeto por pequenos aparelhos como tablets e celulares.
Por outro lado, a literacia familiar encontra empecilhos quando se trata de desigualdade social. Nesse contexto, a baixa renda tende a estar relacionada com o analfabetismo, o que fortalece o ciclo de diminuto desenvolvimento humano entre as classes marginalizadas. Portanto, é perceptível que a dimensão do problema é muito maior, visto que engloba situações de disparidade econômica entre a população brasileira. Sendo assim, é imprescindível a busca por soluções factíveis.
Diante do exposto, é indubitável a necessidade da articulação entre o Ministério da Educação e secretarias estaduais para ampliar projetos que incentivem a literacia familiar. Desse modo, campanhas através das redes sociais e também pela mídia tradicional são de grande importância, pois apresentam os benefícios da leitura durante a infância. Tratando-se das discrepâncias econômicas, é preciso que núcleos municipais de assistência social desenvolvam programas locais para a prática da leitura com professores, formando assim crianças mais perspicazes como na obra Capitão Fantástico.